
O Maranhão viveu um final de semana de luto e comoção. Entre quinta (19) e sexta-feira (20), os corpos dos sete maranhenses vítimas do grave acidente na BR-153, interior de São Paulo, foram sepultados em suas cidades natais. A maioria dos enterros ocorreu em Santa Luzia do Paruá, enquanto duas vítimas foram veladas e enterradas em Imperatriz.
Na cidade polo da região Tocantina, Gonçalo Lisboa, de 33 anos, e Santana Oliveira, de 30, foram homenageados por familiares e amigos na sede da Associação dos Lavradores da Vila Conceição II. Gonçalo foi sepultado ainda na quinta, e Santana na manhã de sexta, no cemitério da própria comunidade rural onde viviam.
A tragédia aconteceu na madrugada da última segunda-feira (16), em um trecho da rodovia entre os municípios de Ocauçu e Marília (SP). O ônibus, que transportava trabalhadores rurais, tombou deixando um rastro de destruição. Seis pessoas morreram no local. A sétima vítima, identificada como Santana Barros de Oliveira, de 30 anos, não resistiu aos ferimentos e faleceu na terça-feira (17) após permanecer internada.
Além das mortes, 45 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave, e seguem recebendo atendimento médico em hospitais da região.
As circunstâncias do acidente estão sendo rigorosamente investigadas pela Polícia Civil de São Paulo. O motorista do ônibus, Claudemir Moraes Moura, foi preso em flagrante e permanece internado sob escolta no Hospital das Clínicas. Ele deve responder por homicídio e lesão corporal na direção de veículo automotor.
De acordo com a delegada Renata Yumi, responsável pelo caso, o veículo apresentava graves problemas mecânicos, como pneus carecas e farol queimado. A principal linha de investigação aponta que o motorista teria seguido viagem mesmo após um dos pneus estourar, retirando-o do eixo — o que pode ter comprometido a estabilidade do coletivo e causado o tombamento.
A situação é agravada por irregularidades administrativas. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que o ônibus não possuía autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para realizar viagens interestaduais. O veículo estava habilitado apenas para circular dentro do Maranhão, mas percorreu mais de 3 mil quilômetros até São Paulo.
Além do motorista preso, um segundo condutor fazia o revezamento na longa viagem, o que também será alvo de apuração.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) deve abrir um procedimento para investigar a responsabilidade da empresa contratante e da transportadora. O órgão também atuará para garantir os direitos trabalhistas e o pagamento de indenizações às vítimas e aos familiares dos mortos.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou, por meio de nota, que a empresa proprietária do ônibus também será investigada e poderá ser responsabilizada criminalmente diante das irregularidades encontradas no veículo e na prestação do serviço.