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As narrativas políticas pretendem ser a nova “medida de todas as coisas”.

No cenário político, o debate público vem sendo cada vez mais substituído pela força das narrativas, alimentando um ambiente de confronto discursivo durante as eleições. Nesse contexto, versões estratégicas dos acontecimentos muitas vezes ganham mais espaço do que a apuração objetiva dos fatos.

Lusmar Cardoso
Por: Lusmar Cardoso
10/05/2026 às 10h00
As narrativas políticas pretendem ser a nova “medida de todas as coisas”.

É notório que o ambiente político brasileiro está turbulento entre as instituições de Poder, tendo a animosidade ganhado cada vez mais espaço no debate público nacional. A regra é persuadir (ou melhor, ludibriar) as pessoas com todos os apetrechos e estigmas possíveis que vão construir o escopo retórico enviesado que ditará as condutas e ações da militância organizada para vencer o inimigo político.

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A modernidade política trouxe um fenômeno assustador que considero uma das piores perversidades do século: a canalhice como virtude consciente. Ela se apresenta de modo escuso e bem disfarçado que se convencionou chamar de “narrativas” para melhor ser absorvido no imaginário linguístico das pessoas, pois assim tem mais aceitação e ninguém vai se dar o trabalho de saber o que está por trás do termo. As chamadas narrativas até pouco tempo eram conhecidas como “falsificações retóricas”, ou seja, mentiras usadas propositalmente como instrumento de combate político contra adversários.

Lógico que a mentira sempre foi instrumentalizada para tal finalidade espúria no ambiente político que temos no país, porém agora é tratada como método. A coisa escalou de tal forma que vivenciamos nos últimos anos uma verdadeira guerra retórica. Isto começou a partir de 2013, passando pelo impeachment da Dilma em 2016 e após a eleição de Jair Bolsonaro se consolidou nos últimos 7 anos como a nova “medida de todas as coisas” na política. A verdade se tornou relativa; o fato agora depende de quem conta e de como se conta; as vítimas são apenas os correligionários; a culpa é questionável, mas os culpados são sempre os adversários. Quem se levanta contra este fenômeno é sumariamente atacado e linchado em praça pública pelos agentes da “virtude coletiva” que militam “em nome da democracia”.

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Esta é a realidade que vivemos na política brasileira. Nossas instituições não preservam a harmonia entre os Poderes, mas sim a harmonia do controle social. O Judiciário tornou-se o verdadeiro inimigo nacional que se pretende um novo Leviatã que vai trazer a ordem e resgatar a democracia, mas que na verdade atua como se fosse um Lampião de um novo Cangaço… e muito mais violento. Não se sabe até onde isso pode chegar, mas é fato de que o cenário social está borbulhando e a preocupação é que isso exploda em uma caos civil sem precedentes. Nessa hora não haverá mais narrativas a serem contadas, mas apenas a dor e a barbárie como ferramentas da vingança popular.

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