
A quarta-feira (6) foi de virada política e de alívio no bolso dos moradores de Aldeias Altas. A Câmara Municipal derrubou o veto do prefeito e aprovou, de forma definitiva, a redução de 40% na taxa de iluminação pública. Uma decisão que, além de beneficiar diretamente a população, simboliza um posicionamento firme do Legislativo diante de uma gestão que, em vez de buscar alternativas, prefere manter cobranças pesadas em tempos de alto custo de vida.
Num cenário em que o preço dos alimentos dispara, combustíveis pressionam o orçamento e serviços básicos pesam cada vez mais, o cidadão aldeiense ainda tinha que arcar com uma taxa de iluminação cara e desproporcional à realidade econômica da cidade. É inadmissível que, com tantos desafios, a gestão municipal não tenha buscado formas de aliviar a carga tributária do povo.
O projeto, de autoria do vereador Luciano dos Santos (PSD), foi aprovado por sete votos a favor. Vale ressaltar que essa vitória não foi apenas numérica, mas política: a Câmara deu um recado claro de que não será submissa a decisões impopulares do Executivo.
Mesmo com o episódio curioso do voto “acidental” de Chico Velho (PRD), que tentou voltar atrás, mas já era tarde, a sessão demonstrou que há parlamentares dispostos a ouvir a voz das ruas. Em tempos de desconfiança na política, atitudes assim aproximam o Legislativo do cidadão e resgatam a função original de representar o interesse coletivo.
O veto do prefeito, sob o argumento de preocupação orçamentária, poderia até fazer sentido se viesse acompanhado de um plano de gestão eficiente, cortes em gastos supérfluos ou busca por novas fontes de receita. Mas não foi isso que aconteceu.
Em economia, sabemos que a carga tributária deve ser compatível com a renda e o custo de vida local. Quando o governo municipal insiste em manter taxas pesadas num cenário de inflação alta e renda estagnada, está, na prática, penalizando ainda mais as famílias, muitas já no limite da sobrevivência financeira.
Com a derrubada do veto, a população terá um respiro, e os vereadores mostraram que é possível se posicionar com independência. No entanto, a vitória só será completa se a Prefeitura e a empresa prestadora de serviço garantir a qualidade da iluminação pública, mesmo com a redução da arrecadação.
Esse episódio deixa claro: quando o povo está apertado e os preços estão nas alturas, qualquer alívio fiscal é mais que bem-vindo e necessário. E o Legislativo, desta vez, cumpriu seu papel. Ao prefeito, resta repensar sua postura e entender que governar é, antes de tudo, equilibrar contas sem sufocar quem paga a conta.
Como analista e observador da política por quatro décadas, posso afirmar: em ano eleitoral ou não, decisões como essa se tornam marcos na relação entre governo e governados. E, neste caso, a balança pendeu a favor do povo.