
As fortes chuvas que atingem a Zona da Mata mineira desde a tarde de segunda-feira (23) já causaram 22 mortes e deixaram centenas de desabrigados em Juiz de Fora e Ubá. De acordo com o Corpo de Bombeiros, pelo menos 45 pessoas estão desaparecidas, e equipes de resgate trabalham ininterruptamente nas buscas.
Em Juiz de Fora, o município decretou estado de calamidade pública na madrugada desta terça-feira (24) e suspendeu as aulas em toda a rede municipal. O temporal, que já acumula 584 milímetros no mês — o dobro do esperado para fevereiro —, provocou deslizamentos de terra, desabamentos de edificações e transbordamento de rios.
O bairro Parque Burnier é um dos mais atingidos. Segundo os bombeiros, 17 pessoas estão desaparecidas na localidade, entre elas mais de cinco crianças. Nove pessoas foram resgatadas com vida, mas quatro morreram. Ao todo, 12 casas desabaram na região.
No Bairro Cerâmica, duas residências desabaram, e cinco pessoas da mesma família permanecem soterradas. Bombeiros, equipes da Empav, Defesa Civil e Polícia Militar atuam conjuntamente nas buscas.
Em imagens publicado nas redes sociais durante a madrugada, a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), informou que há pelo menos 20 ocorrências de soterramento registradas. Os sobreviventes resgatados foram encaminhados ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), unidade de referência no município. A prefeita decretou luto oficial de três dias.

Em Ubá, a prefeitura confirmou seis mortes em decorrência das chuvas, além de duas pessoas desaparecidas. O Ribeirão Ubá transbordou na noite de segunda-feira, e a Avenida Beira Rio ficou completamente tomada pela água. Foram acumulados 124 milímetros de chuva nas últimas seis horas na cidade.
Em Matias Barbosa, o prefeito também decretou estado de calamidade pública devido à enchente que atingiu diversas regiões do município. A medida visa viabilizar o acesso a recursos do governo federal, agilizar ações emergenciais e garantir atendimento às famílias afetadas.
O tenente Henrique Barcellos, dos bombeiros de Juiz de Fora, informou que foram registradas mais de 40 chamadas emergenciais durante a madrugada, incluindo vias bloqueadas, moradores ilhados e casas atingidas.
"Deslocamos no início da madrugada equipes do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres, mais de 20 militares e cães de busca para reforçar a operação", detalhou o oficial.
O Rio Paraibuna e diversos córregos transbordaram, deixando pontes e o mergulhão — importantes vias de ligação entre bairros e o Centro — interditados. Há ainda registro de árvores caídas em diversos pontos da cidade.
A previsão meteorológica indica possibilidade de mais chuvas para Juiz de Fora, que está situada em região de relevo acidentado, com muitos morros, vales e encostas, próxima à divisa com o Rio de Janeiro — características que aumentam o risco de novos deslizamentos.
As autoridades municipais orientam a população a buscar abrigos públicos em caso de risco e a acionar imediatamente a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (193) em situações de emergência.
A reportagem continuará acompanhando os desdobramentos e atualizando as informações sobre vítimas, desaparecidos e ações de resgate.