
O bloco acabou, as fantasias foram guardadas, mas a saúde pública segue em alerta. Passado o Carnaval, um velho conhecido dos boletins epidemiológicos volta a ganhar destaque nos centros de saúde: a Mpox. Dados recentes do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (NIES) confirmam que o vírus, que causa a doença conhecida como "varíola dos macacos", não apenas permanece em circulação, como já apresenta números expressivos no estado de São Paulo neste início de 2026.
Enquanto o país ainda contabiliza os impactos das aglomerações típicas da folia, a vigilância sanitária paulista corre para mapear um cenário que, embora longe de um colapso, exige atenção redobrada.
De acordo com o levantamento, o estado de São Paulo já confirmou 44 casos de Mpox neste ano. As notificações, porém, são significativamente maiores: ao todo, 171 registros chegaram às plataformas de saúde, indicando que a vigilância segue ativa. Desse total, 62 permanecem como casos suspeitos à espera de resultados laboratoriais, 53 já foram descartados, um é considerado provável e 11 seguem sem informação atualizada no sistema.
O número acende um sinal amarelo principalmente quando comparado ao fluxo de diagnósticos do ano passado. Para se ter uma ideia, durante todo o ano de 2025, o estado confirmou 422 casos, um indicativo de que, mantido o ritmo atual, 2026 pode registrar uma circulação mais intensa do que a observada no período anterior.
Desde a chegada do vírus ao país, em 2022, São Paulo já acumula 6.048 confirmações e impressionantes 26.498 notificações, com três óbitos registrados ao longo desses quatro anos.
A proximidade dos casos confirmados com o período carnavalesco levanta a questão: há risco de uma nova onda? Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o cenário é de controle, mas o momento exige que os foliões fiquem atentos aos sintomas.
A Mpox é causada por um vírus da mesma família da varíola humana (erradicada na década de 1980). Sua transmissão ocorre, principalmente, pelo contato direto e prolongado com secreções respiratórias, lesões de pele ou objetos contaminados, como roupas de cama e toalhas. Em tempos de aglomeração e contato físico intenso, típicos do Carnaval, a cadeia de transmissão encontra terreno fértil.
“Não estamos diante de uma ameaça de grande epidemia como a que vimos com a Covid-19, mas é um erro baixar a guarda. O Carnaval é um evento de massa que facilita o contato próximo. Quem apresentar lesões de pele suspeitas ou sintomas gripais nos próximos dias deve procurar uma unidade de saúde e mencionar a exposição recente a aglomerações”, alerta um infectologista ouvido pela reportagem.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que mantém um monitoramento ativo do cenário epidemiológico. A pasta reforça que as unidades estaduais seguem rigorosamente os protocolos estabelecidos de vigilância, testagem e acompanhamento dos casos.
“A resposta rápida e a testagem oportuna são as principais ferramentas para evitar a disseminação descontrolada do vírus. As equipes estão preparadas para identificar e isolar os casos confirmados, além de rastrear seus contatos”, informou a Secretaria.
Os principais sintomas da Mpox incluem erupções cutâneas ou lesões de pele (que podem se assemelhar a espinhas ou bolhas), febre, dores no corpo, gânglios inchados e dor de cabeça.
A orientação das autoridades de saúde para quem participou de festas de Carnaval ou blocos de rua é:
Fique atento ao corpo: Nos próximos 21 dias (período de incubação do vírus), observe o surgimento de manchas ou lesões.
Isolamento imediato: Ao surgirem os primeiros sintomas, evite contato com outras pessoas e não compartilhe objetos pessoais.
Busque testagem: Unidades de saúde estão aptas a realizar a coleta para diagnóstico.
A Mpox chegou ao Brasil depois da folia, e o recado das autoridades é claro: a festa acabou, mas a vigilância continua.