
Um resort de luxo no Paraná, com diárias a partir de R$ 1,3 mil, mais de 5 mil m² de piscinas e vista para "paisagens paradisíacas", emerge como um elo concreto em uma complexa teia de relações que envolve o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, o caso do Banco Master e um fundo de investimento citado em operação de lavagem de dinheiro.
O Tayayá Resort, localizado em Ribeirão Claro (PR), foi adquirido em 2021 por empresas ligadas a parentes do ministro Toffoli. A transação, no valor de R$ 32 milhões, teve como um dos financiadores justamente o Banco Master, alvo de investigação do Banco Central por irregularidades.
O Aporte do Fundo Investigado
Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de outubro de 2025, obtidos pela reportagem, detalham um novo capítulo nessa conexão. Eles revelam que duas empresas cujos sócios são familiares de Toffoli tiveram como parceiro societário o Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia.
Este fundo realizou um aporte de R$ 4,3 milhões para a compra de ações do resort. A administradora do Arleen é a Reag Investimentos, nome que aparece na Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro supostamente destinado à facção criminosa PCC.
Na operação, a Reag é suspeita de atuar como "braço financeiro" do esquema. A mesma Reag Investimentos, segundo os investigadores, teria investido outros R$ 16,3 milhões na DGEP Empreendimentos. Essa empresa já teve em seu quadro societário Mario Umberto Degani, primo do ministro Dias Toffoli.
A Atual Propriedade e as Conexões com a JBS
Atualmente, o Tayayá Resort pertence ao advogado goiano Paulo Humberto Borges Fortes, conhecido por atuar em grandes causas para a JBS, o gigante do setor de carnes controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. A venda ocorreu após a posse inicial pelas empresas familiares.
Apesar da mudança na titularidade, o rastro do investimento inicial do fundo Arleen, ligado à Reag, permanece nos registros societários anteriores, levantando questões sobre a origem dos recursos que circularam no negócio e a proximidade desses capitais com o círculo familiar do ministro.
O Silêncio das Partes
Procuradas, a assessoria do ministro Dias Toffoli não se manifestou sobre os novos documentos até o fechamento desta matéria. Também não houve retorno da Reag Investimentos ou do advogado Paulo Humberto, atual proprietário do resort.
O caso evidencia como investimentos de alto valor, em ativos de luxo como resorts, podem servir como ponto de interseção entre personagens do poder político, operações financeiras reguladas pela CVM e instituições alvo de investigações criminais de alto impacto, como a Carbono Oculto.
O que está em jogo:
Transparência e Origem dos Recursos: A natureza e a licitude do aporte de R$ 4,3 milhões do fundo Arleen no negócio do resort.
Conflito de Aparente Interesse: A repetida aproximação, ainda que por meio de parentes, do ministro do STF a negócios financiados ou envolvidos com instituições sob escrutínio de órgãos de controle e da Justiça.
Rede de Relações: A sobreposição de nomes (Reag, DGEP) e pessoas (familiares de Toffoli) entre o caso do resort, o Banco Master e a investigação do PCC, sugerindo uma rede de investimentos compartilhada.
O Ministério Público Federal e a Polícia Federal acompanham as investigações que tangenciam esses fatos, mas não há informações sobre um desdobramento específico sobre o aporte no Tayayá. A reportagem segue apurando.