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PF aponta desvio de recursos da cultura envolvendo emendas de Andreia Rezende, Helena Duailibe e Cláudia Coutinho.

A Polícia Federal investiga um esquema de desvio de emendas culturais no Maranhão, que envolve assessores e cita parlamentares como Andreia Rezende, Helena Duailibe e Cláudia Coutinho. Três pessoas foram presas e R$ 500 mil apreendidos durante a operação.

Por: Liane Castro
20/10/2025 às 06h42
PF aponta desvio de recursos da cultura envolvendo emendas de Andreia Rezende, Helena Duailibe e Cláudia Coutinho.

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação que resultou na prisão de três pessoas suspeitas de participação em um esquema de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo emendas parlamentares destinadas à área da cultura no Maranhão. De acordo com o relatório da PF, o grupo teria movimentado mais de R$ 2 milhões em recursos públicos por meio de instituições culturais, muitas vezes para eventos que sequer chegaram a ser realizados.

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Entre os detidos estão Ivan Jorge da Piedade Madeira, de 53 anos, presidente da Companhia de Cultura Popular Catarina Mina; Maria José de Lima Soares, de 57 anos, presidente do Boi de Maracanã e representante da Banzeiro Grande Produções LTDA; e Larissa Rezende Santos, de 38 anos, assessora parlamentar da deputada estadual Andreia Rezende (PSB).

Segundo a PF, o trio foi preso em flagrante após sacar R$ 500 mil — valor que deveria ser utilizado na realização de um evento em comemoração ao Dia das Crianças, o qual não ocorreu. Durante a operação, os agentes apreenderam quatro celulares, retalhos de documentos, uma agenda, uma pasta com registros financeiros, um pendrive e R$ 419.350,00 em espécie.

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Do total apreendido, R$ 400 mil estavam dentro de uma mochila transportada por Larissa Rezende, R$ 19.350,00 foram encontrados na bolsa de Maria José, e R$ 50 mil estavam na conta de Ivan Madeira.

COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA

As investigações indicam que os valores das emendas eram repassados a institutos e organizações culturais. Após o saque, o dinheiro era repartido entre os envolvidos, sendo a maior parte devolvida a gabinetes parlamentares. Conforme a PF, 5% dos valores eram destinados a impostos, 10% como comissão ao representante da instituição e 5% à produtora responsável pela emissão das notas fiscais.

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Depoimentos colhidos pela PF reforçam que os recursos eram direcionados por meio de indicações parlamentares. Maria José de Lima Soares relatou que conheceu Larissa Rezende no gabinete do ex-deputado Stênio Rezende, marido da deputada Andreia Rezende. Ela afirmou ter repassado cerca de R$ 1,2 milhão à assessora e disse que os valores vinham de emendas indicadas por parlamentares.

Ainda conforme a investigação, documentos apreendidos mencionam emendas destinadas por Andreia Rezende (PSB), Helena Duailibe (PP), Cláudia Coutinho (PDT) e outros parlamentares.

A assessora Larissa Rezende declarou à PF que o dinheiro encontrado com ela seria entregue ao gabinete da deputada Helena Duailibe, supostamente para a realização de um evento natalino.

A Polícia Federal afirma que o esquema tinha como objetivo disfarçar e dificultar a identificação da origem dos recursos, tornando-os menos perceptíveis aos órgãos de fiscalização e controle.

POSICIONAMENTO DOS CITADOS

Helena Duailibe (PP) declarou ter sido surpreendida com a operação, negou conhecer os envolvidos e afirmou que jamais recebeu valores indevidos. Disse ainda que aguarda acesso ao inquérito para se manifestar oficialmente e se colocou à disposição das autoridades.

Cláudia Coutinho (PDT) esclareceu, por meio de nota, que não é investigada pela PF e que seu nome foi apenas mencionado em um documento intitulado “SECMA – Emendas Indicadas”, que lista deputados que destinaram recursos à Secretaria de Cultura do Maranhão. A parlamentar ressaltou que indicar emendas é uma atribuição legítima do cargo e que não há qualquer denúncia ou acusação formal contra ela.

A defesa de Ivan Madeira informou que ainda está tomando conhecimento dos autos, destacando que ele é um dos mais antigos fazedores de cultura do Maranhão, com quase três décadas de atuação à frente da Companhia Catarina Mina.

Os advogados de Larissa Rezende afirmaram que ela é ré primária, possui emprego lícito e sempre agiu de forma ética. Ressaltaram que qualquer julgamento antecipado é precipitado e que ela colaborará com as investigações para esclarecer os fatos.

Já a defesa de Maria José de Lima Soares, conhecida como “Maria de Maracanã”, afirmou que ela tem histórico de atuação cultural e social nas comunidades de São Luís, e que sempre prestou contas de todos os projetos executados. A nota diz ainda que ela está colaborando com a Justiça e confia na elucidação do caso.

A Polícia Federal segue analisando os documentos e valores apreendidos para determinar o destino final dos recursos e identificar outros possíveis envolvidos no esquema.

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