
Com o anúncio de Lahésio Bonfim (NOVO-MA) como o segundo pré-candidato a senador na chapa de Eduardo Braide (PSD-MA) o tabuleiro político maranhense ganhou novos contornos na disputa ao governo do Maranhão. A candidatura de Braide se fortalece e aumentam sobremaneira suas chances de vitória, pois conseguiu construir uma chapa que abarca o “melhor dos dois mundos” do eleitorado maranhense: um candidato lulista (André Fufuca PP-MA) e outro “bolsonarista” (Lahésio Bonfim), além de já contar com seu próprio eleitorado acostumado com sua linha mais ao Centro da política.
Mas a pergunta que fica é: a Direita maranhense ficará mesmo órfã de candidatura ao governo do estado nestas eleições?
A pergunta carrega em si um certo desânimo por constatar uma realidade que parece ser definitiva até o momento, pois parece não haver substituto que possa cumprir esta missão. O que se fala nos bastidores da política é que Braide poderia ser uma solução no lugar de Lahésio (antes pré-candidato ao governo da Direita no estado) já que precisa dos votos do bolsonarismo. Há uma expectativa ainda de que o também pré-candidato ao Senado Roberto Rocha (NOVO-MA) assuma esta missão como o candidato da Direita ao governo do Maranhão, mas pelo visto Rocha sinaliza ratificar sua candidatura na disputa para senador.
Para além dos raciocínios politicamente apaixonados de torcida, a verdade é que a Direita do Maranhão se encontra numa situação nada agradável e em certa medida capciosa, uma vez que as saídas mais iminentes não vestem uma camisa da Direita (ou no máximo apenas possuem algumas pautas comuns). O principal quadro eleitoral na eleição majoritária é Flávio Bolsonaro e este segue firme na disputa. Mas esta decisão de Lahésio em disputar uma cadeira do Senado colocou em xeque o sonho de um palanque “puro sangue” direitista no estado.
Na eleição proporcional o cenário parece ser, em tese, favorável, uma vez que se tem dois candidatos ao Senado à Direita, ou Centro-direita (o que não é problema, pois cada eleitor vai escolher dois candidatos a senador). No entanto, os candidatos da Direita maranhense que disputam para deputado estadual e federal terão a difícil, mas necessária, tomada de posição sobre apoiar ou não um nome para a cadeira de governador do estado - ou então apoiar ninguém.
Vale lembrar que o palanque de Eduardo Braide pode conter representantes até do dinismo, e que talvez não recuse a presença do presidente da república também. Aí a coisa complica para a Direita no estado.
Alguns mais assanhados do bolsonarismo maranhense já decidiram qual galho vão se pendurar, desprezando todo o histórico e princípios que tanto vociferam publicamente, em nome de se elegerem a qualquer preço. Só se esquecem que alguns preços são difíceis e muitas vezes impossíveis de pagar. Vale lembrar: de modo geral, a Direita tem memória e se caracteriza por ser um voto de opinião... e não de aluguel (bancado por cestas básicas ou benefícios sociais). Enfim.
Pelo andar da carruagem parece certo que a Direita maranhense ficará sem um palanque pra chamar de seu e, pior, terá que se contentar com o que lhe restar. Em virtude dos últimos acontecimentos os danos já começam a aparecer justamente nesta questão das alianças. A Direita do Maranhão formou-se em torno do bolsonarismo (fundamentado nas pautas conservadoras), que é sua principal referência política - mesmo abarcando internamente outros segmentos, como os liberais. Ainda assim é reconhecidamente uma Direita bolsonarista e isto em si já dá um significado político categórico que limita certas alianças eleitorais... mas não as impede.
Muitos acreditam que Lahésio fez sua melhor escolha (endossada pelo próprio partido (NOVO-MA). Bonfim já que possui um eleitorado forte e agora pode ser presenteado pelos eleitores de Braide (da mesma forma que Fufuca) para aumentar sua votação no estado. Ainda é cedo para confirmar se Bonfim tomou ou não a melhor decisão, mas é fato que isso deixou um dilema bem indigesto para os demais candidatos da Direita. Após as convenções poderemos ter um cenário mais definitivo do que se pode prospectar nestas eleições como consequência dos últimos acontecimentos políticos no estado.