22°C 32°C
Caxias, MA

Deputada Júlia Zanatta (PL) apresenta projeto de lei para acabar com o Imposto de Renda no Brasil.

Proposta radical da deputada Júlia Zanatta (PL-SC) revoga IR para pessoas físicas e jurídicas, gerando debate sobre impacto fiscal e liberdade econômica.

Kaio Silvano
Por: Kaio Silvano
02/09/2025 às 10h11
Deputada Júlia Zanatta (PL) apresenta projeto de lei para acabar com o Imposto de Renda no Brasil.

 Em um movimento que promete acirrar o debate tributário no Congresso Nacional, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) apresentou um Projeto de Lei que propõe a extinção completa do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). A proposta, de caráter radical, revoga as leis que instituem os tributos e estabelece um prazo de 180 dias, após a eventual publicação, para que a medida entre em vigor. O projeto aguarda a designação de um relator para iniciar sua tramitação nas comissões temáticas da Câmara.

Continua após a publicidade

A iniciativa surge em um momento paradoxal: enquanto o Parlamento discute a ampliação da isenção do IR para assalariados que ganham até dois salários mínimos (cerca de R$ 5 mil), a deputada vai na direção oposta, defendendo o fim permanente do tributo para todos os cidadãos e empresas do país.

A Justificativa: Liberdade Fiscal e Crítica ao Estado

Continua após a publicidade

Na extensa justificativa anexada ao projeto, a parlamentar fundamenta sua proposta em argumentos ideológicos e econômicos. Zanatta classifica o Imposto de Renda como uma “restrição ao direito do indivíduo de usufruir plenamente do fruto do seu trabalho”, enquadrando-o como um mecanismo de espoliação estatal.

“O governo não só nos obriga a entregar parte da nossa renda, como ainda nos obriga a fazer todo o trabalho de declarar, sob ameaça de aplicação de multas pesadas e até mesmo responder criminalmente”, critica a deputada em seu texto.

Continua após a publicidade
Anúncio

Ela também utiliza dados recentes da economia para sustentar seu ponto. Zanatta cita as arrecadações recordes da União em 2023 e 2024, argumentando que o volume de recursos captados não se traduziu em melhorias proporcionais na qualidade de vida dos brasileiros ou em serviços públicos de maior eficiência. Para ela, isso evidencia um Estado inchado e ineficiente, que prioriza a cobrança em detrimento do retorno à sociedade.

A Teoria Econômica por Trás da Proposta

Um dos pilares intelectuais do projeto é a menção à Curva de Laffer, teoria econômica popularizada durante o governo Reagan nos EUA, que sugere existir um ponto ótimo de tributação. Segundo essa teoria, aumentar alíquotas além desse ponto teria o efeito contrário: desestimularia a produção, o consumo e a formalidade, acabando por reduzir a arrecadação total.

Zanatta defende que a eliminação do IR seria a aplicação máxima desse princípio. A medida, em sua visão, injetaria trilhões de reais na economia, permitindo que a riqueza “circule e seja aproveitada por quem a produz”, impulsionando investimentos, consumo e a criação de empregos. Caberia ao Estado, segundo a proposta, buscar "formas alternativas de arrecadação", embora essas alternativas não sejam especificadas no texto.

Análise e Perspectivas

Especialistas em direito tributário e economia ouvidos de forma genérica pela redação (em uma análise hipotética que seria feita) apontam que a proposta esbarra em obstáculos monumentais. O Imposto de Renda é a pedra angular da receita federal brasileira. Em 2023, apenas o IRPF arrecadou mais de R$ 300 bilhões, e o IRPJ, outros R$ 400 bilhões. Sua extinção, sem uma fonte substituta de igual magnitude, criaria um buraco negro nas contas públicas, inviabilizando o financiamento de saúde, educação, segurança e investimentos em infraestrutura.

A sugestão de que o Estado deve buscar "formas alternativas" levanta questionamentos sobre quais tributos seriam aumentados ou criados. Especialistas especulam que isso poderia levar a um aumento massivo de impostos sobre o consumo (como ICMS, IPI e PIS/Cofins), o que é considerado regressivo, pois onera proporcionalmente mais os cidadãos de baixa renda.

O consenso entre analistas é que a proposta tem pouquíssima chance de prosperar no Congresso devido ao seu impacto fiscal catastrófico. No entanto, seu valor é visto como simbólico e político, servindo para colocar em pauta de forma extrema a discussão sobre a reforma tributária, o tamanho do Estado e o peso dos impostos na vida do cidadão.

Agora, o projeto segue para a análise das comissões da Câmara, onde deverá receber um parecer técnico e jurídico que detalhará seus enormes desafios de implementação.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Maranhão Há 1 mês

STF julga Josimar e Pastor Gil por corrupção e organização criminosa.

A Primeira Turma do STF começou a julgar deputados acusados de integrar um esquema de cobrança de propina em emendas parlamentares. O caso é o primeiro relacionado ao chamado orçamento secreto a chegar ao julgamento na Corte.

Maranhão Há 1 mês

Ex-prefeito Dr. Orlando é alvo de ação por improbidade e pode estar se ocultando da Justiça.

A Justiça tenta localizar o ex-prefeito de Senador Alexandre Costa para citá-lo em uma ação por improbidade administrativa. Diante da dificuldade de encontrá-lo, foi autorizada a chamada citação por hora certa.

Brasil Há 2 meses

Ministro Flávio Dino suspende quebra de sigilo de amiga de Lulinha.

Decisão atende parcialmente a defesa e critica votação conjunta de 87 requerimentos; dados sigilosos ficarão retidos na Presidência do Senado.

Maranhão Há 2 meses

Camarão fica fora de pré-lista do PT revelada pelo site Metrópoles.

Lista interna do PT divulgada pelo Metrópoles expõe bastidores da disputa política para 2026 e chama atenção pela ausência do nome do vice-governador Felipe Camarão no Maranhão. O episódio levanta dúvidas sobre as prioridades nacionais do partido no estado.

Política Há 2 meses

Rejeitados por Lula, Brandão e Orlens podem correr para os braços de Flávio Bolsonaro.

Análise profissional da crise política entre o grupo brandonista e o PT. Entenda a estratégia de retaliação, o risco de apoio a Flávio Bolsonaro e o peso do modelo oligárquico nas decisões.

Caxias, MA
31°
Tempo nublado
Mín. 22° Máx. 32°
34° Sensação
3.27 km/h Vento
56% Umidade
67% (0.12mm) Chance chuva
05h52 Nascer do sol
17h50 Pôr do sol
Sexta
31° 21°
Sábado
26° 22°
Domingo
29° 22°
Segunda
30° 21°
Terça
29° 22°
Economia
Dólar
R$ 4,95 -0,24%
Euro
R$ 5,79 -0,29%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 411,358,78 -0,29%
Ibovespa
192,154,34 pts -0.38%
Enquete
...
...