
A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta sexta-feira (18) dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro foi conduzido à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária para a colocação de tornozeleira eletrônica e agora está sujeito a uma série de restrições.
Além do uso do dispositivo de monitoramento, o ex-presidente está proibido de acessar redes sociais, deve permanecer em casa entre 19h e 7h (toque de recolher), não pode se comunicar com outros investigados no caso nem com diplomatas estrangeiros, e está impedido de deixar o Distrito Federal. O passaporte de Bolsonaro já havia sido apreendido em fevereiro de 2024.
A ação da PF está relacionada a uma investigação sobre suposta falsificação de certificados de vacinação contra a Covid-19. Segundo a CNN Brasil, um dos assessores mais próximos de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, e outras duas pessoas foram presos. A polícia também cumpriu 16 mandados de busca e apreensão e seis de prisão.
A defesa de Cid afirmou à CNN que ainda não teve acesso ao inquérito, que é sigiloso, e que se manifestará após analisar os autos. Buscas também foram realizadas em um endereço associado à residência de Bolsonaro e sua esposa, Michelle Bolsonaro, no Jardim Botânico, em Brasília.
Em publicação nas redes sociais, Michelle afirmou que apenas o celular do ex-presidente foi apreendido e que desconhecia o motivo da operação. "Soubemos pela imprensa que o motivo seria 'falsificação do cartão de vacinação' do meu marido e da nossa filha Laura. Na minha casa, só eu fui vacinada", escreveu.
Bolsonaro, que sempre se declarou contrário à vacinação, negou na quarta-feira (16) ter adulterado seu cartão de vacina. A PF investiga supostas irregularidades ocorridas entre novembro de 2021 e dezembro de 2022, que teriam envolvido a inserção de dados falsos em sistemas oficiais.
A defesa de Bolsonaro classificou as medidas como "severas" e afirmou que o ex-presidente sempre cumpriu as determinações judiciais. O Partido Liberal (PL), em nota assinada pelo presidente Valdemar Costa Neto, manifestou "estranheza e repúdio" à operação, afirmando que Bolsonaro sempre colaborou com as autoridades.
O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL) também criticou a decisão judicial, lamentando a imposição da tornozeleira eletrônica.
A PF divulgou uma nota confirmando o cumprimento dos mandados, em atendimento a uma decisão do STF no âmbito do inquérito PET nº 14129. O órgão informou que analisa os materiais apreendidos e ouve pessoas com possíveis informações relevantes para o caso.
As investigações apontam para supostos crimes de falsificação de documentos sanitários, inserção de dados falsos em sistemas públicos, associação criminosa e corrupção de menores. O caso segue em andamento, com expectativa de novos desdobramentos nos próximos dias.