22°C 33°C
Caxias, MA

PF deflagra operação contra esquema de corrupção eleitoral em Caxias.

Operação Farândola cumpre seis mandados de busca e apreensão e investiga uso de recursos não contabilizados para compra de vantagens ilícitas nas eleições de 2024.

Por: Joel Nascimento
05/03/2026 às 09h51 Atualizada em 05/03/2026 às 10h03
PF deflagra operação contra esquema de corrupção eleitoral em Caxias.

Caxias (MA) – A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (5) a Operação Farândola para apurar um suposto esquema de caixa dois e corrupção eleitoral que teria beneficiado candidatos eleitos para a Câmara de Vereadores de Caxias, no Maranhão, durante o pleito de 2024. Apurações da reportagem confirmaram que o vereador Daniel Barros (PRD) , reeleito no último pleito, está entre os alvos da operação.

Continua após a publicidade

As investigações, conduzidas sob sigilo de justiça, indicam que recursos financeiros não declarados à Justiça Eleitoral foram utilizados para custear despesas paralelas de campanha e oferecer vantagens ilícitas a eleitores, prática que configura corrupção eleitoral.

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão expedidos pela 19ª Zona Eleitoral de Caxias. As diligências ocorreram simultaneamente nos municípios de Caxias (a 360 km de São Luís) e na capital maranhense.

Continua após a publicidade

De acordo com a apuração da PF, o esquema contava com a atuação de um operador financeiro, descrito como "laranja" ou "testa de ferro", cuja função era receber valores de fontes não identificadas e realizar a distribuição do dinheiro em espécie. O repasse era feito por ordem de candidatos que, segundo a polícia, sagraram-se vitoriosos no último pleito municipal.

Continua após a publicidade
Anúncio

Quem é Daniel Barros

Conhecido como "Daniel Barros – O Fiscal do Povo", o parlamentar é formado em Direito, casado e pai, e está em seu segundo mandato na Câmara Municipal de Caxias. Nas últimas eleições de 2024, o vereador foi reeleito, tendo sua candidatura deferida pela Justiça Eleitoral.

Atuação parlamentar e episódios recentes

Daniel Barros tem se destacado na Câmara Municipal por pautas relacionadas à infraestrutura e fiscalização. Em pronunciamento recente, na sessão do último dia 2 de março, o vereador abordou a fiscalização do recapeamento asfáltico na cidade, relatou visita ao povoado Junco para tratar de denúncias de poluição sonora e informou que está elaborando um projeto de lei para disciplinar o problema no município .

Paradoxalmente, o parlamentar também anunciou recentemente a intenção de propor a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal para investigar a aplicação dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) no município. A iniciativa ocorreu após uma operação da Polícia Federal que teve como alvo suspeitas de desvio de verbas na compra de livros destinados à rede pública de ensino .

Antecedentes eleitorais

O nome de Daniel Barros já havia aparecido em ações judiciais relacionadas ao pleito de 2024. O vereador foi citado em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, conhecida como "Aije dos Santinhos", movida pelo partido Podemos contra o prefeito Gentil Neto (PP) e seu tio, o ex-prefeito Fábio Gentil.

Segundo a denúncia, foi identificado um grande volume de santinhos, cartazes e materiais promocionais com informações falsas sobre os candidatos, incluindo Daniel Barros, que foram distribuídos em locais de votação da cidade com o intuito de enganar os eleitores. A ação aponta que os materiais apresentavam números de urna incorretos, induzindo eleitores ao erro e resultando na anulação de mais de 2,4 mil votos para a prefeitura .

A operação

As medidas cautelares desta quinta-feira têm como alvo principal a coleta de provas. Os agentes buscam apreender dispositivos eletrônicos (como celulares e computadores), documentos de contratos simulados, registros contábeis informais (as chamadas "planilhas do caixa dois"), grandes quantias em dinheiro vivo e qualquer outro elemento que ajude a rastrear a origem e o destino dos recursos ocultos.

Se confirmadas as suspeitas, os investigados poderão responder pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral (inserir declaração falsa na prestação de contas) e corrupção eleitoral (oferecer ou prometer dinheiro, dádiva ou qualquer vantagem ao eleitor para obter voto). As penas, se somadas, podem chegar a mais de oito anos de reclusão, além do pagamento de multa.

Posicionamento

A reportagem entrou em contato com a assessoria do vereador Daniel Barros e com a Câmara Municipal de Caxias para esclarecimentos e posicionamentos sobre o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. Até o momento da publicação, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.

A PF não divulgou os nomes dos demais alvos, uma vez que o inquérito corre em segredo de justiça. A investigação agora analisará o material apreendido para identificar a extensão do esquema e possíveis novos envolvidos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Caxias, MA
24°
Tempo nublado
Mín. 22° Máx. 33°
25° Sensação
1.19 km/h Vento
95% Umidade
100% (5.89mm) Chance chuva
05h59 Nascer do sol
18h09 Pôr do sol
Domingo
31° 21°
Segunda
30° 21°
Terça
30° 22°
Quarta
31° 22°
Quinta
29° 22°
Economia
Dólar
R$ 5,27 +0,40%
Euro
R$ 6,12 +0,42%
Peso Argentino
R$ 0,00 +2,94%
Bitcoin
R$ 380,680,81 +0,29%
Ibovespa
179,364,81 pts -0.61%
Enquete
...
...