
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (3) a Operação "Tá na Conta" para aprofundar investigações sobre um suposto esquema criminoso que visava a desistência de candidaturas nas eleições municipais de Caxias, no Maranhão. As diligências, autorizadas pela 19ª Zona Eleitoral, se estenderam também à capital, Teresina, e miram indícios de corrupção eleitoral e violência política de gênero.
De acordo com as apurações, que se baseiam na análise de provas colhidas em uma fase anterior da investigação, há fortes indícios de que lideranças políticas locais articularam um esquema para enfraquecer adversários e interferir na composição de chapas. Para isso, teriam oferecido vantagens indevidas, como dinheiro e promessas de cargos públicos, a candidatos de partidos rivais em troca de suas renúncias.
Um dos focos centrais da operação é a suspeita de coação contra candidatas mulheres. A investigação aponta que elas teriam sido pressionadas a abandonar suas candidaturas, o que, além de configurar violência política de gênero, poderia comprometer o cumprimento da cota mínima de candidaturas femininas exigida por lei. Caso a prática seja confirmada, há o risco de que chapas inteiras possam ser invalidadas pela Justiça Eleitoral.
A investigação teve acesso a um acervo de mensagens que detalham a suposta ação criminosa. As conversas revelam que uma candidata teria recebido a oferta de R$ 50 mil, além da promessa de um cargo público, para que desistisse da disputa. Os diálogos também indicam um alto grau de organização do esquema, com os supostos líderes monitorando as ações em tempo real, chegando a receber imagens das residências das vítimas durante as tentativas de aliciamento.

Na manhã de hoje, policiais federais cumpriram sete mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e órgãos públicos. O objetivo é recolher documentos, dinheiro em espécie e dispositivos eletrônicos que possam conter novas provas e fortalecer o material já obtido. Entre os alvos da operação estão dois agentes públicos, cujos nomes não foram divulgados.
O inquérito policial segue em andamento. Com o avanço das diligências e a análise do material apreendido, os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção eleitoral, violência política e outros delitos que vierem a ser identificados.