
O Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, começou sua transição política para o ciclo eleitoral de 2026. O governador Carlos Brandão (sem partido) determinou que secretários com pretensões eleitorais deverão deixar os cargos até 20 de março, atendendo ao prazo legal de desincompatibilização, que se encerra em 4 de abril. A regra também vale para o próprio chefe do Executivo, caso confirme sua candidatura ao Senado Federal.
A decisão, comunicada em reuniões com o secretariado nos últimos dois dias, já delineia um amplo movimento nas pastas estaduais e projeta mudanças significativas na máquina administrativa ainda no primeiro trimestre.
A lista de secretários que devem entrar na corrida eleitoral reflete a composição pluripartidária da base governista:
Para a Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema):
Júnior Viana (sem partido), subchefe da Casa Civil
Paulo Casé (União Progressista), secretário de Desenvolvimento Social
Abigail Cunha (MDB), secretária da Mulher
Thiago Fernandes (PSDB), secretário de Saúde
Natássia Weba (Podemos), secretária de Ciência e Tecnologia
Yuri Arruda (sem partido), secretário de Cultura
Celsinho (Republicanos), secretário de Esporte
Sebastião Madeira (PSDB), chefe da Casa Civil
Cricielle Muniz (PT), diretora do IEMA
Para a Câmara dos Deputados (Brasília):
Vinícius Ferro (sem partido), secretário de Planejamento
Washington Luís (PT), secretário de Representação Institucional em Brasília
Bira do Pindaré (PSB), secretário de Agricultura Familiar
A filiação partidária de alguns nomes ainda é um quebra-cabeça em resolução. Enquanto Washington Luís (PT) e Cricielle Muniz (PT) já têm partido definido, outros articulam suas bases:
Thiago Fernandes, Júnior Viana e Yuri Arruda são cotados para migrar para o PSDB, ampliando a bancada do partido na Alema.
Bira do Pindaré negocia um retorno ao PT, condicionado à liderança de uma futura federação partidária sob a égide de Carlos Brandão.
Vinícius Ferro é forte candidato a ingressar no MDB.
Esses movimentos indicam que a reorganização da base aliada de Brandão é estratégica tanto para as eleições majoritárias quanto para as proporcionais.
Durante as reuniões, Brandão autorizou que cada secretário que deixa o cargo indique um nome para sua substituição. A escolha final, no entanto, será feita em conjunto com os partidos que sustentam o governo, visando manter a estabilidade administrativa e os acordos políticos.
A saída de nomes como o chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, e o secretário de Saúde, Thiago Fernandes – pastas consideradas estratégicas – exigirá uma transição cuidadosa para não impactar serviços essenciais.
O anúncio antecipado demonstra que as articulações para 2026 já estão a pleno vapor, descartando qualquer período de “pausa” pós-Carnaval. A decisão de Brandão em organizar as saídas com antecedência busca:
Evitar desgaste pela permanência de secretários “lame-duck” (com mandato prestes a acabar).
Garantir tempo hábil para a chegada de novos gestores.
Fortalecer a base eleitoral dos futuros candidatos, que poderão focar nas campanhas a partir de abril.
A possível candidatura do governador ao Senado, ainda não oficializada, é outro foco de especulação e deve definir os rumos da sucessão estadual.