
São Luís, MA – Enquanto o Brasil debate os constantes desafios na segurança pública, com a sensação de insegurança sendo uma realidade em muitos estados, o governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), traça um panorama diferente para o estado. Em um discurso que mescla a defesa de ações firmes contra o crime e um forte investimento em humanização do sistema prisional, Brandão afirma que o Maranhão está avançando na garantia da paz social.
“Vivemos dias em que a segurança pública é um dos maiores desafios do Brasil. E não podemos fechar os olhos para isso. Em alguns estados, o crime organizado se fortaleceu, espalhou medo e desconfiança. Mas, no Maranhão, seguimos um caminho diferente: o da firmeza, do planejamento e do compromisso com a vida. Aqui, o crime organizado não prosperará”, declarou o governador.
Brandão destacou as operações de combate ao crime como peças-chave na sua estratégia. As operações “Impacto” e “Captura”, realizadas de forma contínua pela Polícia Militar e Civil, teriam resultado em mais de 2.800 prisões, além da apreensão de armas, drogas e do bloqueio de bens. Somente em 2024, foram retiradas de circulação mais de quatro toneladas de entorpecentes e bloqueados R$ 100 milhões de organizações criminosas.
Para sustentar essas ações, o governo estadual aponta uma série de investimentos e valorizações dos profissionais da área:
Promoções e Convocações: 4.414 policiais militares e 706 bombeiros militares promovidos desde 2022, com convocação de novos efetivos.
Frota e Infraestrutura: Entrega de 800 viaturas, reforma e modernização de mais de 100 delegacias e 97 instalações da PM.
Proteção à Mulher: Expansão da Patrulha Maria da Penha, de 8 para 22 unidades, com mais duas em implantação em Chapadinha e Viana.
Tecnologia: Criação de um Centro de Inteligência para integrar informações e combater o crime organizado.
Um dos pontos mais enfatizados foi a transformação do sistema prisional maranhense, reconhecido pelo Ministério da Justiça como o melhor do país. A base dessa mudança é o Programa de Gestão Penitenciária (Gespen).
De acordo com o governador, o foco na reintegração e na dignidade gerou resultados concretos:
Mais de 80% dos internos participam de uma das 250 oficinas de trabalho.
Os presídios produzem 700 mil fardamentos escolares, mobiliário para escolas e bloquetes para prefeituras.
Projetos de piscicultura alimentam comunidades.
Zerado o analfabetismo dentro dos presídios, com mais de 80% da população carcerária em estudo regular.
500 internos cursando o ensino superior e mais de 6 mil inscritos no Encceja PPL (exame para certificação de pessoas privadas de liberdade).
“É o Estado oferecendo uma segunda chance, porque acreditamos que ressocializar é também garantir segurança”, argumentou Brandão.
O governador também usou o discurso para alertar sobre um “outro inimigo”: as fake news. Ele classificou a desinformação como um crime que “coloca em risco o esforço de centenas de profissionais que lutam pela paz no Maranhão”.
Paralelamente, Brandão fez um apelo por um endurecimento das leis de execução penal, argumentando que é necessário manter “os criminosos fora de circulação, garantindo mais liberdade a quem realmente merece tê-la”.
A fala do governador Carlos Brandão posiciona o Maranhão em um eixo dual: de um lado, a força repressiva do estado por meio de investimentos e operações; de outro, uma política penitenciária incomum no Brasil, que prioriza a educação e o trabalho como ferramentas de segurança de longo prazo. Enquanto o debate nacional sobre segurança pública muitas vezes se polariza entre “linha dura” e “direitos humanos”, a gestão estadual afirma buscar um “caminho equilibrado”. Resta saber se os indicadores de criminalidade e a percepção da população acompanharão, no longo prazo, o otimismo do discurso oficial.