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Crise entre o governador e o vice do Maranhão abre caminho para a vitória iminente de Lahesio Bonfim em 2026.

Análise da crise política no Maranhão com os áudios vazados entre aliados de Flávio Dino e Carlos Brandão. A disputa fragiliza o governo e projeta Lahesio Bonfim para 2026.

Por: Jornalista Aylton Viana
24/10/2025 às 11h44 Atualizada em 24/10/2025 às 11h54
Crise entre o governador e o vice do Maranhão abre caminho para a vitória iminente de Lahesio Bonfim em 2026.

O Maranhão, estado com uma das estruturas de poder mais sólidas e duradouras do país, vê-se subitamente imerso em sua mais grave crise política desde a sucessão que levou Flávio Dino ao STF e Carlos Brandão ao Palácio dos Leões. O estopim foi a divulgação, pelo deputado bolsonarista Yglésio Moyses, de uma série de áudios que expõem as entranhas de uma negociação espinhosa entre aliados do ministro do Supremo e do governador Brandão. O terremoto, que já levou à demissão de secretários estaduais, tem um vencedor eminente, ainda distante das câmeras: o candidato de direita Lahesio Bonfim, que surge como a alternativa mais fortalecida para a disputa do governo em 2026.

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Os áudios, obtidos por Moyses com "fontes em Brasília" e apresentados de forma fragmentada, capturam conversas de figuras-chave do "dinosaurismo" – os deputados federais Rubens Pereira Júnior (PT) e Márcio Jerry (PCdoB), o secretário-executivo do Ministério dos Esportes, Diego Galdino, e o desembargador federal Ney Bello. O cerne da discussão é um suposto acordo para uma trégua entre os grupos de Dino e Brandão, rompidos publicamente.

Na gravação, os aliados de Dino discutiriam termos nos quais o ministro, já no STF, liberaria as indicações de Brandão para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) – pasta da qual Dino é relator – em troca da indicação do grupo do ex-governador para uma prefeitura chave. A imagem que se forma é a de um Dino operando na sombra, usando sua posição no Supremo para barganhar poder político local, uma acusação gravíssima que, se comprovada, teria repercussões nacionais.

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As negativas foram rápidas, mas revelam fissuras. Flávio Dino, por meio de sua assessoria, emitiu uma nota seca afirmando não responder por "supostos diálogos políticos de terceiros" e classificou a hipótese como "obviamente absurda". É a postura esperada de um ministro do STF, que precisa se distanciar de qualquer aparência de tráfico de influência.

Rubens Júnior, um dos personagens centrais, confirmou o teor das conversas, mas as contextualizou: ele teria atuado como intermediário a pedido do próprio Brandão, e Dino teria se recusado a discutir os processos do TCE. A alegação de que foi vítima de gravação ilegal e de que os áudios estão fora de contexto é um refúgio clássico em crises do gênero, mas não apaga o fato de que a conversa ocorreu.

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A reação mais significativa, no entanto, veio do governador Carlos Brandão. Em sua nota, ele agiu como quem joga gasolina no fogo: "tudo o que veio a público agora já era sabido, porque eles próprios, numa exibição de intimidade com outras forças, falavam abertamente". A mensagem é clara: Brandão não se vê como partícipe, mas como alvo de um grupo que age com arrogância e exposição excessiva. Ele nega ter autorizado as gravações, mas sua fala sugere que sabia do conteúdo e não se importa que ele vaze.

A Janela de Oportunidade para Lahesio Bonfim

É neste cenário de terra arrasada que a figura de Lahesio Rodrigues do Bonfim ganha um contorno estratégico que antes não possuía. Nas últimas eleições, Bonfim, pelo PSC, obteve uma votação expressiva de 24,87% (857.744 votos), ficando em um claro segundo lugar atrás da chapa Brandão/Felipe Camarão, que somou 51,29%.

A análise política fria indica que:

  1. Ruptura da Maioria no Poder: A aliança que elegeu Brandão já era uma colcha de retalhos, unindo seu grupo a uma facção de esquerda liderada pelo vice Felipe Camarão. A crise atual não é uma briga de oposição x governo; é uma guerra civil no interior da base governista. Enquanto Dino e Brandão se degladiam, a ala de Camarão observa, e a coalizão se desfaz em praça pública.

  2. Desgaste dos Principais Nomes: Flávio Dino, uma das maiores lideranças nacionais da esquerda, vê sua imagem manchada por associações a um escândalo de bastidor. Carlos Brandão é retratado como um governador que não tem controle sobre seu próprio palácio e é desrespeitado por seus antecessores. Felipe Camarão aparece como um coadjuvante à espera de uma oportunidade. Nenhum deles sai ileso.

  3. Bonfim como Alternativa Clara: Em um eleitorado cansado de crises e conchavos, Lahesio Bonfim se apresenta como a única opção fora do establishment que há décadas comanda o estado. Ele já possui uma base sólida de quase 25% do eleitorado, demonstrada em 2022. Com a fragmentação do campo governista, votos que foram para Brandão por falta de uma alternativa mais forte agora migram em potencial para Bonfim. A pesquisa citada, que o coloca com 19% em um cenário incerto, é apenas um sinal inicial desse movimento.

A "Polêmica dos Áudios" não é um fato isolado. Ela é o sintoma da agonia de um modelo de poder que, sem a liderança unificadora de Flávio Dino no comando direto, começa a se autofagocitar. A crise joga luz sobre as práticas políticas que sustentaram esse modelo, e o eleitor, cada vez mais informado e cansado, tende a puni-las.

A menos que Dino e Brandão consigam uma reconciliação milagrosa e convincente – o que parece impossível após as acusações trocadas –, o caminho para 2026 está sendo pavimentado não no Palácio dos Leões, mas nos escombros da aliança que o ocupa. E, nesse novo tabuleiro, Lahesio Bonfim, o eterno segundo colocado, surge não mais como um coadjuvante, mas como o principal candidato a herdar o governo do Maranhão. A direita maranhense, pela primeira vez em gerações, pode sentir o cheiro do poder.

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