
Em meio ao prolongado conflito na Ucrânia, os Estados Unidos e a Otan intensificaram as pressões contra os países do BRICS que mantêm relações comerciais com a Rússia, incluindo o Brasil. As ameaças ganharam força após declarações do senador norte-americano Lindsey Graham, aliado do ex-presidente Donald Trump, que sugeriu a imposição de tarifas de até 100% sobre nações que continuarem comprando petróleo russo.
Na última segunda-feira (21), Graham afirmou que, caso não haja avanços nas negociações de paz nos próximos 50 dias, Trump, caso seja reeleito, poderá aplicar sanções severas. "China, Índia e Brasil compram cerca de 80% do petróleo russo barato. O presidente Trump imporá tarifas de 100% a todos esses países", declarou. O senador é autor de um projeto que prevê até mesmo taxas de 500% sobre produtos de nações que mantêm laços comerciais com Moscou.
A postura foi reforçada pelo novo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que ecoou as ameaças de Washington. "Se você for líder da China, da Índia ou do Brasil e ainda estiver negociando com a Rússia, saiba que, se Moscou não levar as negociações a sério, imporemos sanções secundárias de 100%", disse Rutte.
A declaração de Rutte provocou uma resposta imediata do governo brasileiro. O chanceler Mauro Vieira classificou as palavras do chefe da Otan como "totalmente descabidas" e reafirmou a posição independente do Brasil. "Dialogar com a Otan, não. Nós não fazemos parte [da aliança], nem os outros países [do BRICS] mencionados. A declaração dele está fora de propósito e de sua competência", afirmou Vieira.
Além das ameaças econômicas, os EUA e seus aliados europeus fecharam um novo acordo para enviar armamentos à Ucrânia. Países da Otan comprarão equipamentos militares norte-americanos e os repassarão a Kiev, ampliando o apoio bélico no conflito.
A escalada de ameaças contra os BRICS revela a crescente divisão no cenário global, com os EUA e a Otan buscando isolar a Rússia, enquanto China, Índia e Brasil resistem a alinhamentos automáticos. O risco de sanções pode impactar diretamente a economia brasileira, que mantém relações comerciais estratégicas com Moscou.
Enquanto o governo Lula defende uma solução negociada para a guerra, as declarações de Graham e Rutte acendem um alerta sobre possíveis retaliações econômicas. O impasse sinaliza que, longe de arrefecer, as tensões entre Ocidente e BRICS devem se intensificar nos próximos meses.