
Mais de dois dias após confessar o assassinato do policial militar Gleidson Thiago da Silva dos Santos, conhecido como "Dos Santos", o prefeito de Igarapé Grande, João Vitor Xavier (PDT), continua em liberdade mesmo diante de pedido formal de prisão preventiva apresentado pela Polícia Civil do Maranhão. O caso, ocorrido na noite do domingo 6 durante uma vaquejada no Parque Maratá em Trizidela do Vale, causou grande comoção no estado e expôs entraves no andamento do processo judicial.
Segundo relatos de testemunhas, o prefeito teria disparado cinco vezes contra o policial que estava fora de serviço. A vítima ainda foi socorrida por uma ambulância da própria prefeitura e levada ao Hospital Geral de Peritoró mas não resistiu aos ferimentos, morrendo por volta das 23h40.
Na segunda-feira 7, João Vitor se apresentou espontaneamente à Delegacia Regional de Presidente Dutra. Em depoimento, alegou legítima defesa, admitiu ser o autor dos disparos e confessou estar com uma arma sem registro há cerca de dois anos. Apesar da gravidade dos fatos e da confissão, o prefeito foi liberado, já que não houve flagrante.
O delegado Márcio Coutinho, titular da Delegacia de Lago da Pedra, protocolou o pedido de prisão preventiva na terça-feira 8. No entanto, o processo sofreu um revés técnico no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). O desembargador Jorge Rachid Mubárack Maluf, relator do caso, entendeu que a matéria não caberia ao Órgão Especial e determinou sua redistribuição para uma das Câmaras Criminais. A medida atrasou qualquer decisão definitiva sobre a prisão do gestor.
Enquanto aguarda uma definição da Justiça, João Vitor tenta minimizar os efeitos políticos da crise. O prefeito encaminhou à Câmara Municipal um pedido de licença de 125 dias, alegando abalo emocional e necessidade de tratamento psiquiátrico. No documento, também menciona ser paciente bariátrico, condição que, segundo ele, exige cuidados médicos constantes. A licença pode ser encerrada a qualquer momento, permitindo o retorno imediato ao cargo.
Com maioria absoluta na Câmara Municipal composta apenas por vereadores da base governista, a expectativa é de que o pedido de afastamento seja aprovado por unanimidade. Durante a licença, a vice-prefeita Maria Etelvina Sampaio Leite (PDT), ex-vereadora e natural do município, deve assumir interinamente a chefia do Executivo.
Apesar do afastamento, o inquérito policial permanece ativo. A 14ª Delegacia Regional de Pedreiras segue conduzindo as investigações e solicitou novas medidas cautelares, incluindo busca e apreensão domiciliar. Caso o mandado de prisão seja deferido após a redistribuição do processo, João Vitor poderá ser preso mesmo estando afastado das funções públicas.
A condução do caso tem gerado críticas por parte de entidades da segurança pública e familiares do policial morto. Há pressão por justiça e questionamentos sobre possível favorecimento político ao prefeito. A expectativa, segundo fontes ligadas à investigação, é que uma decisão sobre o pedido de prisão seja emitida ainda nesta quarta-feira 10.