
São Luís, 22 de janeiro de 2026 – Dados consolidados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública e divulgados pelo governo federal nesta quinta-feira (21) revelam um panorama complexo da violência letal no Maranhão. Em 2025, o estado registrou 1.940 Mortes Violentas Intencionais (MVIs), um número que o posiciona como o sétimo no ranking nacional em volume absoluto. Apesar de seguir a tendência nacional de queda, a taxa maranhense de 27,64 mortes por 100 mil habitantes se mantém 73% acima da média do Brasil, que ficou em 15,97 no mesmo período.
As Mortes Violentas Intencionais são um indicador que agrega homicídios dolosos (com intenção de matar), feminicídios, latrocínios (roubo seguido de morte) e lesões corporais seguidas de óbito. O índice do Maranhão, portanto, serve como um termômetro crítico da segurança pública no estado.
Queda Nacional e a Posição do Maranhão
O relatório federal confirma uma tendência positiva em escala nacional: pelo quinto ano consecutivo, o país registra redução nos índices de violência letal. Entre janeiro e novembro de 2025, foram contabilizados 34.086 casos em todo o Brasil (dados ainda pendentes dos estados de São Paulo e Paraíba). Esse número consolida uma queda acumulada de 25% desde 2020.
No ranking de números absolutos, o Maranhão figura atrás de estados como Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Amazonas e Pará. A liderança em volume, no entanto, nem sempre reflete a letalidade proporcional. Quando se analisa a taxa por 100 mil habitantes – métrica que equaliza as diferenças populacionais –, a situação maranhense ganha outro contorno, evidenciando um desafio proporcionalmente maior.
Análise do Cenário: Entre Avanços e Desafios Persistentes
Especialistas em segurança pública apontam que a adesão do Maranhão à tendência de queda nacional é um aspecto positivo, possivelmente ligado a políticas de federalização do combate à violência, investimentos em inteligência e ações focadas em grupos criminosos. No entanto, a taxa ainda elevada sinaliza obstáculos profundos.
“A redução é uma boa notícia e deve ser reconhecida. Contudo, uma taxa de 27,64 é inaceitável e mostra que o estado precisa de políticas ainda mais efetivas e customizadas. A desigualdade social, a fragilidade de algumas instituições locais e a necessidade de integração entre forças de segurança são fatores que contribuem para que o índice permaneça tão acima da média nacional”, analisa a socióloga e pesquisadora em violência, Dra. Clara Mendes.
A discrepância entre a classificação em números absolutos (sétimo lugar) e a alta taxa per capita ilustra a complexidade do problema. Estados populosos naturalmente tendem a ter mais ocorrências, mas é a taxa que revela o risco real à qual a população está exposta.
O que o Indicador Inclui e sua Importância
A opção por divulgar o dado consolidado de Mortes Violentas Intencionais visa oferecer um retrato mais fiel e abrangente da violência letal, indo além dos homicídios simples. A inclusão de feminicídios destaca crimes motivados por gênero; os latrocínios refletem a violência associada à criminalidade patrimonial; e as lesões corporais seguidas de morte capturam casos que poderiam ser subnotificados em outras categorias. Para o cidadão comum, esse índice representa o risco de perder a vida de forma violenta, independentemente da tipificação jurídica específica.
O governo do estado do Maranhão, em nota, reconheceu os dados e afirmou que as estratégias para 2026 serão intensificadas, com foco no policiamento orientado para resultados, no fortalecimento da perícia e no aumento da integração com municípios do interior. A meta declarada é não apenas manter a trajetória de redução, mas acelerá-la para convergir com a média nacional nos próximos anos.
Enquanto isso, a população maranhense convive com a dualidade de um indicador que, embora em queda, ainda a coloca em um patamar de vulnerabilidade significativamente acima da média do país – um dado crucial para o debate público e a formulação de políticas de segurança na região