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Fim da taxas das blusinhas e compras online como na Shopee e Shein volta a ser pauta na Câmara dos Deputados após um ano e governo pode revogar.

Projetos de lei argumentam que “taxa das blusinhas” prejudica o consumidor de baixa renda, teve arrecadação abaixo do esperado e beneficiou grandes varejistas.

Por: Joel Nascimento
06/11/2025 às 11h52
Fim da taxas das blusinhas e compras online como na Shopee e Shein volta a ser pauta na Câmara dos Deputados após um ano e governo pode revogar.

BRASÍLIA – A polêmica "taxa das blusinhas", imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, está no centro de um movimento no Congresso Nacional para sua revogação. Com pelo menos três projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados e um debate interno no governo, a manutenção do tributo, instituído há pouco mais de um ano, enfrenta crescente resistência.

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A cobrança foi implementada no âmbito do programa Remessa Conforme, que trouxe previsibilidade tributária para importações, mas eliminou a isenção que vigorava para produtos de valor igual ou inferior a US$ 50. Agora, deputados de diferentes partidos defendem o fim da alíquota, alegando prejuízos ao bolso do consumidor e resultados fiscais aquém do projetado.

Um dos projetos é de autoria do deputado Kim Kataguiri (União-SP), que defende a volta da isenção. O parlamentar argumenta que a taxa recai desproporcionalmente sobre a população de menor renda. "O imposto prejudica diretamente os consumidores que buscam alternativas mais acessíveis no exterior, muitas vezes para itens básicos", afirmou Kataguiri.

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Críticas semelhantes vêm do deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), autor de outra proposta com o mesmo objetivo. Ayres, que é relator da CPI do INSS, trouxe para o debate um argumento econômico. Segundo ele, dados da própria Receita Federal indicam que a arrecadação com a taxa ficou 65% abaixo do estimado pelo governo no primeiro ano de vigência. "Não só a arrecadação foi pífia como, no mesmo período, as grandes redes varejistas brasileiras tiveram crescimento recorde. A taxa, na prática, funcionou como uma proteção ao mercado interno, mas a custo do consumidor", avaliou.

Nos corredores do Planalto, circula a informação de que o governo federal discute internamente o assunto. A preocupação, de acordo com as mesmas fontes, seria evitar um novo desgaste político às vésperas das eleições municipais. O debate teria sido impulsionado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), sensível ao clamor popular contra o tributo nas redes sociais.

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Enquanto isso, uma terceira proposta, da deputada Dani Cunha (União-RJ), oferece uma solução alternativa. Seu projeto cria uma cota anual de isenção de até US$ 600 para compras internacionais pela internet, que também poderia ser usada para remessas postais.

A parlamentar justifica o valor comparando-o com outras franquias já consolidadas. "O viajante que sai pelo aeroporto tem uma cota de US$ 1.000 nas bagagens e mais US$ 1.000 nos free shops. É injusto que quem compra pela internet, muitas vezes por necessidade, não tenha uma cota mínima garantida", argumentou Dani. O projeto especifica que os itens devem ser de uso pessoal, como celular, livro, roupas e acessórios, desde que compatíveis com o uso individual.

Procurada, a Receita Federal não se manifestou sobre os números específicos da arrecadação citados pelo deputado Ricardo Ayres. Já o Ministério da Fazenda, em notas anteriores, defendeu a taxação como uma forma de equalizar a concorrência entre empresas estrangeiras e nacionais, que estão sujeitas a uma carga tributária superior.

Agora, a bola está com o Congresso e com o governo. A pressão pela revogação da "taxa das blusinhas" ganha força, colocando em choque a necessidade de arrecadação, a defesa da indústria nacional e o poder de compra do consumidor. Com a proximidade das eleições, a discussão promete esquentar ainda mais.

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