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Crise do banco Master atinge Maranhão e outros estados e gera alerta de R$ 30 bilhões.

Suspeitas de fraudes na tentativa de aquisição de ativos do Banco Master colocam em risco R$ 30 bilhões em recursos judiciais administrados pelo BRB em tribunais do DF, Bahia, Maranhão, Alagoas e Paraíba.

Kaio Silvano
Por: Kaio Silvano
23/01/2026 às 13h32
Crise do banco Master atinge Maranhão e outros estados e gera alerta de R$ 30 bilhões.

 estabilidade do sistema de depósitos judiciais em cinco unidades da federação está sob ameaça após investigações sobre fraudes relacionadas à tentativa de aquisição de ativos do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Com um volume estimado de até R$ 30 bilhões sob gestão, recursos essenciais para o cumprimento de decisões judiciais correm riscos devido à possível fragilidade financeira da instituição. O modelo conhecido como "pix judicial", que agiliza a liberação de valores, está no centro das preocupações.

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Após experiência pioneira no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), o BRB expandiu sua atuação para os tribunais da Bahia, Maranhão, Alagoas e Paraíba. Os contratos, firmados por dispensa de licitação após análise de propostas, delegam ao banco a custódia de depósitos judiciais – valores que servem como garantia em processos e devem ser disponibilizados rapidamente após decisão final. A continuidade do sistema depende da saúde financeira do gestor, pois eventuais dificuldades podem comprometer a execução de pagamentos determinados pela Justiça.

O alerta ganhou força com a revelação de que o BRB teria adquirido carteiras de crédito consideradas problemáticas do Banco Master, em operações que podem totalizar R$ 16 bilhões. As investigações em curso questionam não apenas a legalidade das transações, mas também a capacidade do banco de honrar compromissos de grande vulto, como os contratos com os tribunais. A situação expõe uma vulnerabilidade sistêmica: se o BRB enfrentar insolvência, a estrutura de depósitos judiciais em cinco estados pode colapsar.

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Em meio à crise, os tribunais adotam posturas cautelosas. O TJ do Maranhão informou que acompanha o caso e recebeu ofício do BRB com esclarecimentos em novembro. A corte destacou que o contrato prevê a migração dos depósitos para outra instituição financeira, seguindo normas do Banco Central, em caso de rescisão. Na Paraíba, já foram implementadas verificações periódicas da situação econômico-financeira do banco. Apesar das cláusulas de segurança, a transição em larga escala seria complexa e demandaria coordenação entre múltiplas instituições.

Especialistas alertam que um eventual desequilíbrio no BRB pode exigir apoio externo para evitar um colapso mais amplo. O Distrito Federal, controlador do banco, teria limitações para realizar um aporte significativo isoladamente. Estados nordestinos signatários dos contratos também enfrentam restrições fiscais, o que aumenta a pressão por uma solução coordenada, possivelmente envolvendo o Banco Central e o Tesouro Nacional. O risco de contágio institucional é real, dada a dimensão dos recursos e a função crítica dos depósitos judiciais.

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Em nota oficial, o Banco de Brasília afirmou que as operações sob investigação estão sendo analisadas por auditoria independente e reafirmou compromisso com a transparência e com o cumprimento das obrigações contratuais. A instituição declarou operar em normalidade. No entanto, a assombração sobre sua saúde financeira persiste, e tribunais mantêm-se em estado de vigilância.

A crise expõe a delicada interseção entre o sistema financeiro e a máquina judiciária. A eficiência trazida pelo "pix judicial" não pode prescindir de sólidos mecanismos de controle e de gestores financeiramente robustos. Enquanto as investigações avançam, a prioridade imediata dos tribunais é assegurar que, mesmo em um cenário de piora, os R$ 30 bilhões em depósitos judiciais permaneçam acessíveis – garantindo que a execução das decisões judiciais não seja refém de instabilidades bancárias.

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