Correios e Taxação de Compras Internacionais são hoje temas centrais no debate sobre o impacto da nova política tributária brasileira. A chamada "taxa das blusinhas", que passou a tributar remessas internacionais de até US$ 50, provocou uma queda drástica na receita dos Correios em 2024 — um prejuízo estimado em R$ 2,2 bilhões.
Segundo dados internos da estatal, a receita estimada para 2024 com o transporte de mercadorias, especialmente oriundas da China por plataformas como Shopee e Shein, era de R$ 5,9 bilhões. No entanto, com a implementação do Programa Remessa Conforme, que entrou em vigor em agosto de 2023, o valor efetivamente arrecadado ficou em R$ 3,7 bilhões, uma redução de 37%.
Mesmo em projeções revisadas que já consideravam os efeitos da nova legislação, a estatal ainda previa faturar R$ 4,9 bilhões. A frustração nas metas resultou em um déficit de R$ 1,7 bilhão abaixo do esperado. O prejuízo acumulado da empresa em 2024 já chega a R$ 3,2 bilhões, segundo o Ministério da Gestão e Inovação, o que acendeu um sinal de alerta sobre a sustentabilidade da estatal.
Enquanto os Correios enfrentam dificuldades financeiras, o governo federal comemora o aumento da arrecadação com a nova medida, que visa igualar a carga tributária entre produtos nacionais e importados. Empresários do varejo brasileiro também celebram a taxação, argumentando que ela corrige uma concorrência desleal, já que as importações tinham isenção que produtos nacionais não possuíam.
O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, foi enfático ao relacionar a queda da estatal diretamente à nova legislação. Em audiências públicas na Câmara dos Deputados, ele classificou a medida como um "golpe na logística nacional", reforçando a necessidade de estratégias para reequilibrar as contas da empresa.
Para contornar a crise e recuperar parte da receita perdida, os Correios anunciaram que estão desenvolvendo um marketplace próprio. A plataforma será voltada para vendedores nacionais, promovendo o comércio interno e oferecendo uma alternativa às grandes varejistas internacionais.
A estratégia busca diversificar a atuação da empresa, reduzindo a dependência de encomendas internacionais e criando um canal direto com lojistas brasileiros. A previsão é que o marketplace seja lançado ainda em 2025, com foco em pequenos e médios empreendedores.
Apesar da iniciativa, especialistas do setor alertam que a concorrência no mercado de e-commerce é feroz, e os Correios precisarão investir fortemente em tecnologia, experiência do usuário e logística integrada para competir com plataformas já consolidadas, como Mercado Livre, Amazon e Magazine Luiza.
A taxação de compras internacionais pode ter aliviado as contas públicas e dado novo fôlego ao comércio nacional, mas provocou um efeito colateral severo nos Correios. A criação de um marketplace próprio surge como resposta urgente a uma queda de receita bilionária — e pode ser o início de uma nova fase para a estatal.
O sucesso dessa guinada estratégica dependerá da capacidade dos Correios em inovar, se digitalizar e reconquistar a confiança do mercado. Enquanto isso, o debate sobre o equilíbrio entre política tributária, livre mercado e proteção da indústria nacional continua em alta.