Enquanto o governo do Maranhão celebra o avanço das obras do novo complexo de Ciências da Saúde da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) em São Luís, os estudantes de Medicina e Enfermagem do campus de Caxias se sentem esquecidos. A promessa de um novo prédio para o curso, feita ainda para 2022, continua sem previsão de entrega, prejudicando alunos e a própria população caxiense, que depende do futuro Centro de Especialidades Médicas vinculado à obra.
No dia 29 de março, o governador divulgou um vídeo convidando futuros estudantes de Medicina a conhecerem a construção do novo campus em São Luís, já 80% concluído. O problema? O primeiro curso de Medicina da UEMA, criado em 2002 e localizado em Caxias, enfrenta há anos uma infraestrutura precária e não recebe a mesma atenção.
Dois Pesos, Duas Medidas
O prédio atual do curso de Medicina em Caxias – o Anexo Saúde – enfrenta sérios problemas estruturais. O laboratório de anatomia e a biblioteca só foram entregues em 2018, após anos de reivindicações dos estudantes. Além disso, há relatos de atrasos nos pagamentos de professores e da falta de especialistas para disciplinas clínicas.
A nova construção em Caxias, que deveria solucionar esses problemas, começou a ser erguida ao lado do ambulatório, mas sua entrega, prometida para 2022, nunca aconteceu. Enquanto isso, o campus de São Luís, que iniciou sua obra há bem menos tempo, já está perto da conclusão.
Nas redes sociais, alunos da UEMA questionam: “O que acontece com o Campus Caxias?” e “Parem de fingir que nós não existimos!”. Muitos acreditam que a criação do novo curso de Medicina na capital foi usada como propaganda política, enquanto o campus do interior, com 23 turmas já formadas, continua esquecido.
Impacto na Saúde Pública
A postergação da entrega do novo prédio em Caxias não afeta apenas os estudantes, mas também a população. O projeto previa a inauguração de um Centro de Especialidades Médicas, que daria suporte ao atendimento local e serviria de campo de prática para os acadêmicos. Com o atraso, a cidade segue sem essa estrutura fundamental para a formação dos profissionais e para o acesso da população a serviços de saúde mais qualificados.
A desigualdade na distribuição dos recursos estaduais é evidente. A saúde do Maranhão precisa de médicos de todo o estado, não apenas da capital. A expansão do ensino superior é bem-vinda, mas não pode ser feita às custas do abandono de cursos já consolidados e essenciais para o interior.
Estudantes e moradores de Caxias seguem cobrando respostas. O governo do estado continuará ignorando essa realidade?