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Guerra comercial entre China e EUA abre oportunidade para o agronegócio brasileiro

A nova escalada da guerra comercial entre China e EUA abre oportunidades para o agronegócio brasileiro, impulsionando exportações de soja, milho e carnes. No entanto, o aumento da demanda externa pode pressionar a inflação interna, desafiando o governo Lula.

Kaio Silvano
Por: Kaio Silvano
06/03/2025 às 10h56
Guerra comercial entre China e EUA abre oportunidade para o agronegócio brasileiro

A recente escalada da guerra comercial entre China e Estados Unidos abre uma janela de oportunidades para o agronegócio brasileiro. Com Pequim impondo novas tarifas sobre produtos agropecuários americanos, o Brasil se consolida como um fornecedor estratégico e pode ampliar significativamente suas exportações.

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A história se repete. Durante o primeiro mandato de Donald Trump (2017-2020), retaliações chinesas aos produtos agropecuários dos EUA impulsionaram as exportações brasileiras. Agora, o governo Lula busca aproveitar o novo movimento de Pequim, que decidiu impor tarifas adicionais de até 15% sobre frango, trigo, milho e algodão, e de 10% sobre soja, carne suína, bovina, laticínios e outros produtos.

Dados do Departamento de Agricultura dos EUA já apontavam essa tendência. Em 2018, a China reduziu suas compras de produtos agropecuários americanos em US$ 8 bilhões, enquanto as exportações brasileiras aumentaram em US$ 4 bilhões. A expectativa é que essa nova rodada de tarifas reforce ainda mais essa dinâmica.

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Soja e Milho: Os Maiores Beneficiados

Entre os produtos que mais podem se beneficiar da nova conjuntura está a soja. Em 2024, o Brasil exportou 74,6 milhões de toneladas do grão para a China, faturando US$ 36 bilhões. Os Estados Unidos, por sua vez, venderam 22,13 milhões de toneladas, totalizando US$ 12 bilhões. Com a imposição de tarifas aos americanos, o Brasil pode ampliar ainda mais sua fatia nesse mercado.

O milho também entra na equação. Com previsão de safra recorde, o excedente brasileiro pode ser absorvido pela China, que busca alternativas aos produtos taxados dos EUA. Esse movimento abre espaço para maior diversificação e consolidação do Brasil como um grande player no fornecimento global de grãos.

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Carne e Sorgo: Novos Horizontes

O setor de carnes também sai fortalecido. Os Estados Unidos são o segundo maior fornecedor de aves para a China, atrás do Brasil, e possuem uma fatia relevante no mercado de carne suína. Com a nova rodada de tarifas, os produtores brasileiros podem expandir ainda mais sua presença nesses segmentos.

Até mesmo o sorgo, cultura pouco explorada no Brasil, ganha destaque. Os EUA são os principais exportadores do grão para a China, que importou US$ 1,83 bilhão em 2023. Recentemente, o Brasil recebeu autorização para exportar sorgo aos chineses, abrindo uma nova frente de negócios.

Inflação e Impactos no Mercado Interno

Se por um lado a guerra comercial favorece o agronegócio, por outro, o governo Lula enfrenta um dilema: o aumento das exportações pode pressionar os preços dos alimentos no mercado interno, impactando a inflação.

Economistas já alertam para esse risco. A alta do dólar, impulsionada pelo cenário global, tem encarecido insumos e pressionado a inflação. Carlos Thadeu Freitas Filho, especialista da BGC Liquidez, destaca que "o risco inflacionário se concretizou", com previsões de tarifas elevadas desde a eleição de Trump.

Os desafios climáticos também entram na equação. O Centro-Oeste enfrenta temperaturas elevadas e previsão de déficit hídrico, o que pode afetar a produtividade agrícola.

Com Lula desgastado nas pesquisas e o custo de vida em alta, o governo precisará equilibrar os ganhos econômicos com o impacto social da inflação. A oportunidade está posta, mas o preço político pode ser alto.

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