Uma investigação conduzida pela Polícia Federal revelou um amplo esquema de desvio de recursos públicos envolvendo três deputados maranhenses. Segundo os investigadores, os parlamentares condicionavam o envio de emendas para determinados municípios à devolução de parte dos valores, prática conhecida como "rachadinha". Mensagens obtidas por meio de aplicativos de celular foram fundamentais para reforçar as acusações.
O esquema operava de maneira coordenada: prefeitos que não aceitavam a exigência de repasse eram alvos de ataques em blogs alinhados aos parlamentares. Um exemplo foi registrado em São José de Ribamar, onde, após resistência do gestor municipal, veículos de comunicação aliados ao grupo passaram a divulgar matérias negativas sobre sua administração, insinuando envolvimento com irregularidades.
Além das trocas de mensagens, documentos apreendidos em endereços ligados ao deputado Josimar Maranhãozinho indicam uma estrutura sofisticada para ocultar a movimentação dos recursos. Planilhas, anotações e extratos bancários demonstram que familiares do parlamentar e prefeitos aliados eram usados como intermediários para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Durante as operações de busca e apreensão, os agentes da Polícia Federal encontraram uma fragmentadora de documentos e cerca de R$ 72 mil em espécie em propriedades do deputado. Em um dos momentos mais inusitados da ação, a esposa de Maranhãozinho tentou descartar um telefone celular jogando-o na lixeira do banheiro.
O caso se insere em um contexto mais amplo de investigações sobre o uso irregular de emendas parlamentares. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, tem liderado esforços para aumentar a transparência na destinação desses recursos, combatendo fraudes que muitas vezes envolvem prefeituras ligadas a figuras influentes do Congresso. Segundo Dino, a falta de controle sobre esses repasses já resultou em apreensões milionárias de dinheiro em malas, cofres e até em tentativas desesperadas de ocultação.
Atualmente, o STF analisa pelo menos 24 processos relacionados ao desvio de emendas parlamentares, sendo seis deles diretamente ligados a Maranhãozinho. O parlamentar enfrenta acusações de:
As investigações seguem em andamento, e o caso de Maranhãozinho pode se tornar um marco no combate à corrupção no Maranhão, revelando a profundidade dos esquemas ilícitos envolvendo recursos públicos e a necessidade urgente de maior fiscalização sobre as emendas parlamentares.