
BACABAL, MA – A cidade de Bacabal, no interior do Maranhão, vive um cenário de tensão e esperança durante o nono dia consecutivo das buscas por Ágata Isabelle, de cinco anos, e Allan Michael, de quatro anos. A operação, que se tornou uma das maiores da região, foi ampliada e agora mobiliza uma força-tarefa composta por mais de 600 pessoas, incluindo agentes de segurança pública e voluntários da comunidade.
No domingo (11), o esforço ganhou um novo capítulo com a chegada de uma equipe multidisciplinar do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA). Formada por um psicólogo e um assistente social, a missão do grupo é realizar perícias psicológica e social, além de ouvir familiares das crianças. O IPCA também pretende ouvir o menino Anderson Kauã, resgatado após quatro dias desaparecido na mesma região, assim que obtiver a autorização dos órgãos de proteção.
O coronel Wallace Amorim, comandante-geral da Polícia Militar do Maranhão (PMMA), afirmou que a operação não tem previsão de encerramento. "Só vamos parar quando encontrarmos as duas crianças que estão faltando", declarou. O compromisso é reforçado pela participação de militares que cancelaram férias e folgas para se juntar às buscas.
As equipes enfrentam um dos maiores obstáculos da operação: a geografia hostil da região. As buscas se concentram em uma área de transição entre vegetação alta e baixa, marcada por matas fechadas, espinhos, regiões alagadas, rios e lagos. O tenente-coronel Marcos Bittencourt, do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), detalha que o terreno é considerado de alto risco.

Para superar essas dificuldades, especialmente à noite, os bombeiros utilizam drones equipados com câmeras térmicas, tecnologia capaz de identificar seres vivos através da variação de temperatura. "É uma mata fechada. Do helicóptero, lá de cima, não tem como visualizar. É um ambiente inóspito. A gente encontrou muitas armadilhas", complementou o coronel Amorim, destacando a complexidade do trabalho.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) detalhou a dimensão da mobilização. Mais de 500 agentes estão envolvidos, incluindo policiais civis, policiais militares, bombeiros militares, a Força Estadual, o Centro Tático Aéreo (CTA), setores de inteligência e perícia oficial.
A operação também conta com o apoio fundamental da Prefeitura de Bacabal, por meio da Guarda Municipal e da Defesa Civil, e com militares do Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro.
As buscas são realizadas de forma ininterrupta, por terra e pelo ar, com o suporte de aeronaves, drones, cães farejadores e equipes especializadas como o Cosar (Comando de Operações Especiais), da PMMA, que atua inclusive no período noturno.
Um dos pilares da operação é a integração entre as forças oficiais e a comunidade. Voluntários de Bacabal e cidades vizinhas dedicam seu tempo à procura. Mateiros e caçadores da região, com conhecimento profundo do terreno, auxiliam na orientação das equipes externas, um elemento crucial dada a complexidade da mata.

A persistência das buscas é alimentada por um caso recente de sucesso. Na última quarta-feira (7), o menino Wanderson Kauã, de quatro anos, foi encontrado com vida após passar quatro dias desaparecido no povoado Santa Rosa, próximo ao quilombo São Sebastião dos Pretos – mesma região onde Ágata e Allan desapareceram. A polícia estima que a distância entre os dois pontos seja de cerca de quatro quilômetros em linha reta. O menino resgatado segue em recuperação, e seu caso serve como um farol de esperança para a comunidade e para os familiares das duas crianças ainda desaparecidas.
A operação em Bacabal se consolida como um exemplo de mobilização integrada entre forças estaduais, federais e a sociedade civil, mantendo acesa a esperança de um desfecho positivo para a família e para toda a comunidade maranhense.