A ponte Juscelino Kubitscheck, localizada na divisa entre Maranhão e Tocantins, foi palco de uma tragédia no último domingo (22), quando o desabamento da estrutura deixou oito mortos e nove desaparecidos. A Matera Engenharia, responsável pela manutenção da ponte entre 2021 e 2024, recebeu R$ 3,6 milhões por serviços de limpeza, reparos estruturais e substituição de juntas de dilatação, como parte do Programa de Manutenção e Reabilitação de Estruturas (Proarte).
Apesar do investimento, a estrutura apresentava sinais evidentes de desgaste crítico, culminando no colapso que levantou questionamentos sobre a eficácia da manutenção e a fiscalização do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Em novembro deste ano, a Matera Engenharia foi sancionada pelo Dnit devido a irregularidades na execução de obras rodoviárias no Tocantins. A punição, que vigora até janeiro de 2025, impede a empresa de firmar novos contratos com a União.
O caso trouxe à tona um panorama preocupante. A Matera Engenharia recebeu, no total, R$ 140 milhões do Governo Federal por diferentes projetos e possui contratos vigentes avaliados em R$ 276 milhões. A tragédia expõe não apenas possíveis falhas na execução dos serviços, mas também lacunas nos mecanismos de supervisão e auditoria de obras públicas.
Histórico de problemas
O desabamento da ponte não foi um evento isolado. Relatórios técnicos anteriores apontaram sinais de corrosão e desgaste na estrutura. Apesar disso, não foram realizados reparos significativos que pudessem prevenir o desastre. Moradores locais também relataram preocupações frequentes com a segurança da ponte, amplificando a pressão sobre órgãos responsáveis pela manutenção e inspeção.
Consequências e investigações
Com a tragédia, surgem demandas por uma investigação ampla sobre o uso dos recursos destinados à manutenção da ponte e sobre os contratos da Matera Engenharia. Ministérios e órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU), já sinalizaram a necessidade de auditorias aprofundadas. Especialistas também defendem a criação de protocolos mais rigorosos para fiscalizar obras de infraestrutura crítica no país.
Impacto político e social
A tragédia reflete problemas estruturais que vão além da ponte Juscelino Kubitscheck. Ela reascendeu o debate sobre o uso eficiente de recursos públicos e a necessidade de responsabilizar empresas e gestores por falhas que colocam vidas em risco. Além disso, comunidades que dependem da ponte enfrentam agora desafios de mobilidade e abastecimento, agravando o impacto social da tragédia.
Enquanto as investigações prosseguem, a esperança é que o caso sirva como um alerta para melhorar os processos de gestão, manutenção e fiscalização de obras públicas no Brasil.