Uma reportagem especial exibida neste domingo (24) pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record, trouxe à tona o drama de Gerardo Silva, um eletricista aposentado de 62 anos, condenado a 15 anos de prisão pelo assalto a uma agência do Banco do Brasil em Codó, Maranhão. O caso evidencia falhas preocupantes no sistema judicial e reacende o debate sobre a necessidade de revisões mais criteriosas em condenações penais.
Gerardo foi preso em 2021, acusado de participação em um audacioso assalto ocorrido em novembro de 2020. Segundo a acusação, ele teria ajudado a planejar e executar o crime que envolveu o sequestro do gerente da agência bancária e de sua família, além da instalação de explosivos no corpo do gerente.
Porém, a defesa de Gerardo apresentou provas que contestam diretamente a acusação. No dia do crime, o aposentado estava em outra cidade, a mais de 800 km de distância, participando de uma consulta médica, fato comprovado por recibos e testemunhas. Além disso, impressões digitais encontradas na cena do crime não pertencem a Gerardo, e não há registro de ligações ou mensagens que conectem o eletricista ao ocorrido.
“Meu pai sempre foi um homem honesto, trabalhador. Ele dedicou 40 anos da vida à profissão de eletricista. Nunca imaginamos que uma injustiça tão grande poderia acontecer conosco”, declarou emocionada Maria das Graças, filha do aposentado.
Em 17 de novembro de 2020, um grupo armado sequestrou o gerente da agência e sua família, utilizando métodos conhecidos como “sapatinho” – quando reféns são usados para obrigar o saque de dinheiro sob ameaça de explosivos. Após horas de tensão, o Esquadrão Antibombas da Polícia Militar desativou os explosivos presos ao corpo do gerente, e sua família foi liberada sem ferimentos.
A polícia reagiu rapidamente e trocou tiros com os criminosos em uma região de mata próxima à cidade de Caxias. Até hoje, nenhum dos assaltantes foi preso, e a investigação sofreu críticas pela condução das provas e pela demora na resolução do caso.
Com a ampla cobertura do Domingo Espetacular, o caso de Gerardo ganhou destaque nacional. Especialistas entrevistados pela reportagem apontaram inconsistências no processo judicial, desde a ausência de provas robustas contra o réu até a desconsideração de álibis confiáveis.
A família agora deposita suas esperanças na revisão do caso. “Acredito que a justiça será feita. Queremos que meu pai recupere a liberdade e sua dignidade”, afirmou Maria das Graças.
A repercussão também reacendeu discussões sobre a urgência de reformas no sistema judiciário brasileiro, que frequentemente lida com erros processuais e condenações injustas. Enquanto isso, Gerardo permanece preso, aguardando a chance de contar sua história à Justiça.
O caso segue em análise, e a sociedade aguarda desfecho para mais um episódio que questiona a integridade do sistema de responsabilização penal no Brasil.