Economia Brasil
Aliados do governo querem revogar a ‘taxa das blusinhas’ que encareceu Shein, Shopee e AliExpress
Deputados pressionam por revogação da ‘taxa das blusinhas’, que encareceu compras internacionais em Shein, Shopee, AliExpress e Temu. Entenda o impacto no bolso dos brasileiros.
13/08/2025 12h34 Atualizada há 7 meses
Por: Kaio Silvano

A polêmica “taxa das blusinhas”, que entrou em vigor em 2024, pode estar com os dias contados. O deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos-TO) apresentou um projeto de lei para revogar a cobrança que acabou com a isenção para compras internacionais de até US$ 50, medida criticada por afetar principalmente consumidores de baixa renda que compram em plataformas como Shein, Shopee, AliExpress e Temu.

Segundo Ayres, a promessa de aumento da arrecadação não se concretizou: a receita ficou 62% abaixo do esperado. “O fim da isenção prejudica quem depende de produtos mais baratos, estimula a informalidade, distorce a concorrência e isola o Brasil das práticas internacionais”, afirmou o parlamentar. A proposta busca restaurar a regra antiga, permitindo a importação de produtos de baixo valor sem cobrança de imposto.

Nos bastidores, cresce a pressão política para derrubar a taxa. Aliados do governo discutem o assunto com líderes do Centrão, e a revogação pode ser vista como um gesto diplomático em relação à China, principal país atingido, que é parceira comercial do Brasil. A medida surge também após os Estados Unidos aplicarem tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

O projeto de Ayres recebe apoio da oposição. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) apresentou proposta semelhante, reforçando que o governo nunca concordou totalmente com a criação da taxa, sancionada após pressão de Arthur Lira. Nas redes sociais, a “taxa das blusinhas” virou alvo de críticas por encarecer produtos comprados em Shein, Shopee, AliExpress e Temu, enquanto grandes varejistas nacionais, como Renner e Riachuelo, registraram crescimento nos lucros.

A proposta ainda precisa passar pelas comissões da Câmara antes de chegar ao plenário, mas já sinaliza um novo conflito político e econômico, envolvendo governo, Congresso e empresários, com impacto direto no bolso do consumidor brasileiro e nas compras internacionais de baixo valor.