Desde 1º de agosto de 2025, todos os radares das rodovias federais brasileiras foram desativados devido à falta de recursos para manter o Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade (PNCV). A medida afeta aproximadamente 47 mil km de estradas e acende um alerta sobre o aumento do risco de acidentes. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) confirmou que o orçamento destinado à fiscalização eletrônica sofreu corte de 88%, passando de R$ 364 milhões para apenas R$ 43,3 milhões. Mesmo com suplementações, o valor chegou a R$ 79,6 milhões, ainda insuficiente para sustentar o programa até dezembro.
A Associação Brasileira das Empresas de Engenharia de Tráfego (Abeetrans) anunciou que pode recorrer à Justiça para restabelecer os equipamentos, considerados essenciais para combater o excesso de velocidade, principal causa de mortes nas rodovias, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O desligamento também ameaça as metas do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (PNATRans), que prevê reduzir em 50% os óbitos no trânsito até 2030. Em 2024, o Brasil registrou 34 mil mortes e cerca de 200 mil pessoas com sequelas em acidentes, com um impacto econômico anual estimado em R$ 22,6 bilhões, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Além de salvar vidas, os radares também garantem receita para os cofres públicos, arrecadando em média R$ 1,1 bilhão por ano em multas. Desde 2023, porém, esses recursos foram redirecionados para despesas administrativas do DNIT, comprometendo a manutenção do sistema. Atualmente, o PNCV conta com 21 contratos que cobrem as 27 unidades da federação, monitorando cerca de 2 mil faixas de rodovias — número que deveria ser ampliado para 4,7 mil, mas teve a expansão suspensa. O DNIT segue negociando com o Ministério dos Transportes e a Casa Civil para recompor o orçamento e evitar que a paralisação resulte em descumprimento de decisão judicial já firmada com o Ministério Público Federal.