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Por falta de recursos, Brasil desativa todos os radares das rodovias federais.
Todos os radares das rodovias federais foram desligados por falta de recursos, afetando 47 mil km de estradas. Especialistas alertam para o risco de aumento de acidentes e mortes no trânsito.
11/08/2025 16h15
Por: Kaio Silvano

Desde 1º de agosto de 2025, todos os radares das rodovias federais brasileiras foram desativados devido à falta de recursos para manter o Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade (PNCV). A medida afeta aproximadamente 47 mil km de estradas e acende um alerta sobre o aumento do risco de acidentes. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) confirmou que o orçamento destinado à fiscalização eletrônica sofreu corte de 88%, passando de R$ 364 milhões para apenas R$ 43,3 milhões. Mesmo com suplementações, o valor chegou a R$ 79,6 milhões, ainda insuficiente para sustentar o programa até dezembro.

A Associação Brasileira das Empresas de Engenharia de Tráfego (Abeetrans) anunciou que pode recorrer à Justiça para restabelecer os equipamentos, considerados essenciais para combater o excesso de velocidade, principal causa de mortes nas rodovias, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O desligamento também ameaça as metas do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (PNATRans), que prevê reduzir em 50% os óbitos no trânsito até 2030. Em 2024, o Brasil registrou 34 mil mortes e cerca de 200 mil pessoas com sequelas em acidentes, com um impacto econômico anual estimado em R$ 22,6 bilhões, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Além de salvar vidas, os radares também garantem receita para os cofres públicos, arrecadando em média R$ 1,1 bilhão por ano em multas. Desde 2023, porém, esses recursos foram redirecionados para despesas administrativas do DNIT, comprometendo a manutenção do sistema. Atualmente, o PNCV conta com 21 contratos que cobrem as 27 unidades da federação, monitorando cerca de 2 mil faixas de rodovias — número que deveria ser ampliado para 4,7 mil, mas teve a expansão suspensa. O DNIT segue negociando com o Ministério dos Transportes e a Casa Civil para recompor o orçamento e evitar que a paralisação resulte em descumprimento de decisão judicial já firmada com o Ministério Público Federal.