A cena política de Caxias ganhou um capítulo revelador nos últimos dias. Mesmo dividindo o palco com o governador Carlos Brandão, o presidente da Câmara Municipal, Ricardo Rodrigues (PT), não esboçou qualquer gesto de cumprimento ou demonstração pública de alinhamento ao grupo político do chefe do Executivo estadual. Para quem acompanha os bastidores, o silêncio de Ricardo foi mais eloquente que qualquer discurso.
O motivo, ao que tudo indica, vai além de um simples gesto protocolar. Brandão carrega no currículo uma série de promessas não cumpridas ao município, e uma delas atinge diretamente o Legislativo caxiense: a reforma da Câmara Municipal. Anunciada com pompa e circunstância pelo governador, a obra não avançou com o apoio estadual. No fim, o prédio foi reformado, mas com recursos próprios do município, deixando a sensação de que o governador falou mais do que fez.
O distanciamento de Ricardo não é só pessoal; é político. Fiel ao PT e próximo do vice-governador e pré-candidato Felipe Camarão, o vereador parece ter percebido que abraçar de corpo e alma um governador que coleciona promessas descumpridas é carregar peso morto em ano pré-eleitoral. Como escreveu Maquiavel em O Príncipe: “Não se deve confiar em promessas feitas no calor da necessidade, mas sim naquelas cumpridas quando a necessidade já passou.” No caso de Brandão, a necessidade passou, mas as promessas ficaram pelo chão.
Nos corredores, comenta-se que a paciência de Ricardo Rodrigues com Brandão já se esgotou. O vereador, conhecido por sua fidelidade ao PT e por sua proximidade com o vice-governador e pré-candidato ao governo, Felipe Camarão, parece adotar uma postura cada vez mais cautelosa em relação ao atual governador. Afinal, uma campanha estadual exige credibilidade, e compromissos descumpridos corroem o capital político de qualquer aliado.
Vale lembrar que as promessas de Brandão a Caxias não se resumem à reforma da Câmara. Outras obras e investimentos foram citados publicamente, mas continuam no limbo das intenções, sem previsão de execução. O padrão se repete em outras regiões do Maranhão, onde o discurso do governador não encontra respaldo na prática administrativa.
O episódio recente mostra que Ricardo Rodrigues, mesmo sem romper oficialmente com seu grupo, já não está disposto a ceder gestos simbólicos que possam ser interpretados como apoio irrestrito. Para um político experiente, o silêncio e a distância podem falar muito mais alto do que uma fotografia sorridente para a imprensa.
Em tempos de desgaste político e campanhas frágeis, como a que se desenha para Felipe Camarão, a postura de Ricardo deixa claro que, no xadrez eleitoral, cada movimento é calculado milimetricamente. E, neste caso, a frieza pode ser apenas o prenúncio de um reposicionamento estratégico.