Economia Brasil
Tarifaço derruba preços de carne, café e laranja no atacado no Brasil, enquanto valores disparam nos EUA.
Enquanto as tarifas americanas ainda não entraram em vigor, preços no atacado já recuam no Brasil, mas repasse aos consumidores pode ser limitado devido ao sistema.
24/07/2025 07h16 Atualizada há 7 meses
Por: Kaio Silvano
Flávio Botelho

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos como aço, alumínio e etanol ainda não começaram oficialmente, mas seus efeitos já são sentidos no mercado atacadista brasileiro. Nos últimos dias, os preços de algumas das principais commodities exportadas para os EUA registraram queda, movimento contrário à alta recente observada nos mercados norte-americanos.

Segundo analistas, a redução reflete a preocupação de exportadores brasileiros com a possível saturação do mercado doméstico caso as vendas aos EUA diminuam. Produtos como o aço e o etanol tiveram recuos de até 5% em algumas regiões do país, segundo dados de associações do setor.

Custo alto para o consumidor final
Apesar da queda no atacado, especialistas alertam que dificilmente esses preços mais baixos chegarão ao consumidor final na mesma proporção. O fenômeno é semelhante ao que ocorre com os combustíveis: mesmo quando as usinas reduzem o preço do diesel ou da gasolina, os postos muitas vezes não repassam totalmente a queda.

“O mercado brasileiro tem uma estrutura de custos que dificulta o repasse integral de quedas no atacado para o varejo”, explica Ricardo Oliveira, economista da Consultoria Tendências. “Impostos, logística e margens de lucro do intermediário fazem com que o consumidor nem sempre sinta o alívio.”

No caso do etanol, a expectativa de redução das exportações para os EUA já preocupa usinas, que podem ter que direcionar mais produção para o mercado interno, aumentando a oferta e pressionando os preços para baixo. No entanto, o consumidor pode não notar diferença significativa, já que os custos fixos e a cadeia de distribuição mantêm os valores elevados nas bombas.

Enquanto isso, o governo monitora os impactos das tarifas e estuda medidas para evitar perdas maiores para os exportadores. Para o consumidor, porém, o cenário ainda é de cautela – e de pouca esperança de alívio imediato no bolso.