Economia IOF
Financiamento vira pesadelo: IOF sobe e parcelas disparam
O aumento do IOF em 2025 elevou o custo dos financiamentos e preocupa o setor de motocicletas, que teme frear o crescimento nas vendas. Com o crédito mais caro, consórcios e propostas de isenção ganham força como alternativas viáveis.
24/07/2025 07h12
Por: Kaio Silvano

As mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em 2025 estão gerando preocupação no setor de veículos, especialmente entre fabricantes e consumidores que dependem de financiamento para aquisição de motocicletas. Enquanto a alíquota para pessoas físicas se manteve em 0,38% mais 0,0082% ao dia, o aumento para empresas (de 1,88% para 3,38%) e para micro e pequenas empresas (de 0,88% para 1,95%) elevou o custo do crédito, impactando diretamente o valor final dos financiamentos.

No caso das motocicletas populares, o preço pode subir em até R$ 1 mil, o que representa um obstáculo para trabalhadores que utilizam o veículo como ferramenta de trabalho, como mototaxistas e entregadores por aplicativo. Considerando que 70% das vendas de veículos no país são feitas por meio de financiamento, a alta do IOF, somada à taxa Selic em 14,75%, pode desacelerar a recuperação do setor.

Como alternativa, os consórcios, que são isentos de IOF e juros, têm ganhado espaço, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. No entanto, essa modalidade apresenta limitações, como prazos mais longos e necessidade de lances para garantir a aquisição do veículo.

Diante do cenário desafiador, representantes do setor têm pressionado o governo por medidas compensatórias. Projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional propõem isenção de IOF e IPI para mototaxistas e entregadores na compra de motos de até 250 cilindradas. Além disso, o governo federal lançou uma linha de crédito especial para veículos elétricos, com o objetivo de impulsionar a mobilidade sustentável e reduzir custos operacionais.

Apesar das dificuldades, o primeiro semestre de 2025 registrou um desempenho positivo, com 1,03 milhão de motocicletas licenciadas, um aumento de 10,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A produção também atingiu 1 milhão de unidades, segundo dados da Abraciclo.

A expectativa é que o ano seja encerrado com 2,02 milhões de unidades vendidas. No entanto, a entidade alerta que, sem novos estímulos, o crescimento pode perder força no segundo semestre, especialmente diante do crédito mais caro e da incerteza econômica. Enquanto isso, consumidores e empresários buscam alternativas para manter as vendas e garantir o acesso a um dos meios de transporte mais utilizados no país.