Economia Brasil
SUS será obrigado a realizar implantes dentários conforme projeto aprovado pela Comissão de Saúde.
Projeto de lei avança e prevê atendimento integral, desde exames até cirurgias, para pacientes com perda parcial ou total dos dentes
23/07/2025 09h53 Atualizada há 7 meses
Por: Kaio Silvano

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pode transformar o acesso à saúde bucal no Brasil. O texto obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a oferecer exames, tratamento clínico e implantes dentários para pessoas com perda parcial ou total dos dentes. A medida amplia a Política Nacional de Saúde Bucal e busca reduzir desigualdades no atendimento odontológico.

O que muda no SUS?

Atualmente, o SUS já realiza procedimentos básicos como extrações, restaurações e próteses convencionais. Com a nova proposta, o sistema passará a cobrir todas as etapas do implante dentário, incluindo:

O atendimento poderá ser feito diretamente pela rede pública ou em parceria com clínicas privadas conveniadas, garantindo maior capilaridade do serviço.

O texto aprovado é um substitutivo ao PL 5265/19, de autoria do deputado Nivaldo Albuquerque (Republicanos-AL). O relator, deputado Antonio Andrade (Republicanos-TO), adaptou a proposta para alinhá-la à Política Nacional de Saúde Bucal, aprovada em 2023. "O substitutivo harmoniza a legislação, garantindo que os implantes sejam incorporados de forma viável ao SUS", explicou Andrade.

Próximas etapas e desafios

Para virar lei, o projeto ainda precisa passar pelas comissões de:

Se aprovado nas duas casas legislativas (Câmara e Senado), o texto seguirá para sanção presidencial. Especialistas destacam, porém, que a implementação exigirá investimentos em estrutura, capacitação de profissionais e regulamentação técnica.

Dados do IBGE indicam que 39 milhões de brasileiros já perderam todos os dentes, situação que afeta principalmente idosos e pessoas de baixa renda. A inclusão de implantes no SUS pode melhorar qualidade de vida, autoestima e até condições nutricionais desses pacientes.

"Esse avanço vai além da estética: restaura funções mastigatórias e previne problemas digestivos", afirma Maria Lúcia Silva, presidente do Conselho Federal de Odontologia. Movimentos sociais também celebram a proposta, mas cobram prazos claros para sua efetivação.

Enquanto aguarda tramitação, o projeto reacende debates sobre o financiamento da saúde pública e a necessidade de políticas odontológicas preventivas para reduzir a extração de dentes no país.