Internacional Brasil
Governo Lula cria força-tarefa para desenvolver “GPS brasileiro” e reduzir dependência de sistema dos EUA
Projeto estratégico visa reduzir dependência de tecnologias estrangeiras e fortalecer a soberania nacional em meio a cenário geopolítico tenso
22/07/2025 06h11
Por: Kaio Silvano

Foi oficializada a criação de um Grupo Técnico (GT) responsável por estudar a viabilidade de um sistema nacional autônomo, com participação da Agência Espacial Brasileira (AEB) e outras 13 instituições.

A iniciativa, coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), tem caráter estratégico e surge em um momento de instabilidade nas relações internacionais. Nos bastidores, há preocupação com possíveis restrições tecnológicas em caso de sanções diplomáticas, especialmente diante da possibilidade de um novo mandato de Donald Trump nos EUA.

O GT terá 180 dias, prorrogáveis por igual período, para mapear as capacidades industriais e tecnológicas do país, diagnosticar vulnerabilidades e propor um modelo para um sistema brasileiro de PNT. Entre os órgãos envolvidos estão o Ministério da Defesa, o INPE, a Telebras, a Anatel e o Comando da Aeronáutica.

"O objetivo é garantir soberania e segurança estratégica, principalmente em cenários de conflito ou pressões externas", afirma um representante do governo sob condição de anonimato. A preocupação reflete uma tendência global: países como China (com o BeiDou), Rússia (GLONASS) e União Europeia (Galileo) já possuem seus próprios sistemas, reduzindo a dependência do GPS.

Desenvolver um sistema de PNT exige infraestrutura avançada, incluindo satélites, redes terrestres e tecnologia de precisão. O Brasil já tem experiência parcial com o Sistema de Navegação por Satélite (SBAS), usado na aviação civil, mas um projeto nacional demandaria investimentos pesados e parcerias com a indústria.

O relatório final, a ser entregue ao Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro (CDPEB), trará recomendações para a implantação do sistema. Apesar do prazo curto, especialistas veem a iniciativa como um passo necessário.

"É um projeto complexo, mas urgente. Depender exclusivamente de sistemas estrangeiros é um risco em situações críticas", avalia um especialista do setor aeroespacial.

Como autarquia responsável pela Política Espacial Brasileira, a AEB terá papel fundamental no GT. Vinculada ao MCTI, a agência coordena iniciativas como o Programa Espacial Brasileiro e o lançamento de satélites de monitoramento.

"Participar desse grupo reforça nosso compromisso com a autonomia tecnológica", destacou a AEB em nota. Ainda não há previsão orçamentária para o projeto, mas a sinalização política indica que o tema deve ganhar prioridade nos próximos anos.

Enquanto o GT inicia seus trabalhos, o governo demonstra que, em um mundo cada vez mais conectado — e geopoliticamente tenso —, controlar sua própria capacidade de navegação pode ser questão de segurança nacional.