Economia Brasil
Trump pode elevar taxa a 50%: veja os setores e empresas mais afetados, segundo o BTG
Se Trump impor tarifas de 50%, alguns setores sofrerão mais. O BTG revela quais empresas estão na linha de frente.
10/07/2025 11h34
Por: Kaio Silvano

O  presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para o país. A medida, que entra em vigor em 1º de agosto, foi justificada pela Casa Branca como uma resposta à "perseguição política a Jair Bolsonaro e à censura a empresas americanas de tecnologia no Brasil". O anúncio gerou forte repercussão em Brasília e no mercado financeiro, levantando preocupações sobre os efeitos na economia e nas relações bilaterais.

Analistas do BTG Pactual avaliaram que, embora o impacto direto na economia brasileira seja limitado, alguns setores podem sofrer mais que outros. As exportações para os EUA representam apenas 12% do total enviado pelo Brasil ao exterior, equivalente a cerca de 1,7% do PIB. No entanto, caso as tarifas permaneçam, o superávit comercial brasileiro pode cair US$ 7 bilhões em 2025 e US$ 13 bilhões em 2026, mesmo com possíveis redirecionamentos de vendas para outros mercados.

Setores como aviação, papel e celulose, materiais de construção e madeira estão entre os mais expostos. A Embraer, por exemplo, tem cerca de 60% de suas vendas voltadas aos EUA, e seus jatos executivos Praetor, montados no Brasil, podem ser diretamente afetados. A WEG, que exporta transformadores e motores para o mercado americano (30% de suas vendas no país), pode buscar alternativas como aumentar a produção local ou transferir operações para o México. Já a Suzano, com 19% de sua receita ligada aos EUA, enfrenta desafios para redirecionar suas exportações de celulose, dada a fraca demanda global.

Alguns segmentos devem sentir pouco ou nenhum impacto. O petróleo e seus derivados, por exemplo, continuam isentos devido a ordens executivas anteriores. A Petrobras envia apenas 4% de seu petróleo bruto aos EUA, volume que pode ser facilmente direcionado a outros mercados. O setor siderúrgico também está relativamente protegido, já que produtos como placas de aço já enfrentam tarifas superiores a 50% desde 2018. Empresas como Gerdau e Usiminas têm produção local nos EUA ou exposição limitada.

No agronegócio, a carne bovina se torna inviável para exportação aos EUA, mas as principais empresas do setor, como Marfrig (2% da receita) e Minerva (5%), têm baixa dependência desse mercado. A Jalles Machado, que vende açúcar orgânico aos EUA (5% da receita), pode ser uma das poucas prejudicadas no segmento.

Consequências Políticas: Um Jogo de Narrativas

Para o BTG, os efeitos políticos da medida podem ser mais significativos que os econômicos. A postura de Trump pode fortalecer o presidente Lula internamente, permitindo que ele se apresente como defensor da soberania nacional contra uma suposta intervenção estrangeira. Analistas destacam que o PT reagiu com veemência, classificando a tarifa como "arbitrária e antidemocrática", o que pode ser explorado politicamente em um cenário de polarização com Bolsonaro.

Cenário Global e Incertezas Futuras

A decisão de Trump ocorre em um contexto de aumento das tensões comerciais globais e retórica protecionista. O ex-presidente já havia imposto tarifas a produtos da China, México e União Europeia, mas, no caso brasileiro, o viés político foi mais explícito. Apesar do tom agressivo, o Brasil ainda tem capacidade logística para redirecionar parte de suas exportações, e produtos essenciais como petróleo bruto seguem fora da nova taxa.

A mensagem, porém, é clara: as relações comerciais com os EUA podem se tornar mais hostis nos próximos anos, especialmente em um eventual segundo mandato de Trump. Diante disso, o governo brasileiro precisará de agilidade diplomática, enquanto as empresas nacionais terão de demonstrar resiliência para se adaptar a um cenário cada vez mais desafiador.