O governo federal anunciou o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) como uma medida para "taxar os super ricos". No entanto, a realidade é que esse tributo acaba atingindo em cheio a população mais vulnerável, enquanto a sonegação de impostos por grandes fortunas segue sem fiscalização eficiente.
Pobres e classe média dependem mais de crédito – Enquanto os ricos têm acesso a linhas de financiamento privilegiadas e capital próprio, a população de baixa renda recorre a empréstimos bancários para cobrir despesas básicas, como saúde e educação. Com o aumento do IOF, o custo do crédito sobe, penalizando justamente quem já enfrenta dificuldades financeiras.
Juros altos + IOF = Dívidas mais caras – Em um cenário de inflação e taxa Selic elevada, o aumento do IOF só agrava o endividamento das famílias. Quem recorre a crédito consignado ou parcelamento de contas, por exemplo, sentirá ainda mais o peso no orçamento.
Enquanto o governo aumenta o IOF – um imposto que afeta diretamente o consumo e o crédito popular –, a fiscalização sobre sonegação de impostos por grandes fortunas e empresas continua insuficiente.
Grandes patrimônios sonegam bilhões – Estima-se que o Brasil perca cerca de R$ 500 bilhões por ano com sonegação, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). A maioria desse valor está concentrada em grandes empresas e contribuintes de alta renda, que usam mecanismos como offshores e elisão fiscal para pagar menos impostos.
Falta de prioridade na fiscalização – A Receita Federal tem capacidade limitada para auditar grandes contribuintes, enquanto o contribuinte comum é cobrado rigorosamente. Enquanto isso, o governo opta por aumentar tributos como o IOF, que recaem sobre o consumo, em vez de combater a evasão fiscal dos mais ricos.
Na votação do aumento do IOF, a maioria da bancada maranhense (11 dos 14 presentes) rejeitou a medida, alinhando-se às críticas de que o tributo prejudicaria a população em um momento de crise. No entanto, dois deputados – Rubens Pereira Júnior (PT) e Márcio Jerry (PCdoB) – votaram a favor, contrariando até mesmo a insatisfação popular.
A decisão deles levanta questionamentos: a quem esses parlamentares representam? Se a maioria dos deputados do estado rejeitou o aumento por entender seu impacto negativo, por que Jerry e Rubens optaram por apoiar uma medida que encarece o crédito e pesa no bolso do trabalhador?
O discurso de "taxar os ricos" com o IOF é enganoso. Na prática, o tributo atinge principalmente quem já sofre com juros altos e falta de acesso a crédito barato. Enquanto isso, os verdadeiros super ricos continuam escapando da tributação justa devido à falta de fiscalização.
Se o governo realmente quisesse taxar os mais ricos, priorizaria o combate à sonegação e a revisão de benefícios fiscais para grandes patrimônios. Mas, em vez disso, escolheu aumentar um imposto que penaliza justamente quem menos pode pagar.
Quem, de fato, está defendendo os interesses do povo?