O Governo Federal anunciou, nesta sexta-feira (30), o lançamento do programa Agora Tem Especialistas, que visa ampliar o acesso da população a atendimentos de saúde especializada por meio de uma medida inédita: a troca de dívidas tributárias de hospitais privados com a União por serviços prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A proposta, apresentada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tem como foco principal a redução das longas filas de espera por consultas, exames e cirurgias. A iniciativa surge como uma solução estratégica para dar uso a uma rede hospitalar que possui estrutura disponível, mas enfrenta dívidas fiscais e tributárias com o governo.
— É uma via de mão dupla: a população ganha ao ter mais acesso a médicos especialistas, e os hospitais privados encontram um caminho para quitar suas dívidas contribuindo com a saúde pública — afirmou o ministro.
Entre as especialidades contempladas no programa estão oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia, áreas que acumulam demandas reprimidas em diversas regiões do país.
Os hospitais interessados em aderir ao programa deverão firmar um acordo com o governo, assumindo o compromisso de realizar uma quantidade determinada de atendimentos ao SUS em troca da redução proporcional de suas dívidas. O Ministério da Saúde será responsável por fiscalizar o cumprimento dos contratos e garantir que os serviços prestados estejam de acordo com os padrões exigidos.
A adesão ao programa será voluntária, mas o governo espera atrair um número expressivo de instituições, especialmente aquelas com alta capacidade de atendimento e endividadas junto à Receita Federal ou à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
Segundo estimativas preliminares do Ministério da Saúde, o Agora Tem Especialistas pode beneficiar milhões de brasileiros, especialmente em estados onde o déficit de médicos especialistas é maior. A expectativa é que o programa gere uma movimentação significativa na rede de saúde, ampliando a cobertura do SUS sem necessariamente aumentar o investimento direto em novas unidades ou contratos tradicionais.
Além disso, o governo também acredita que a medida poderá estimular uma maior colaboração entre os setores público e privado na área da saúde, fortalecendo o princípio da universalização do acesso, base do SUS desde sua criação.
O programa será regulamentado por meio de uma portaria específica e contará com acompanhamento dos conselhos de saúde e dos órgãos de controle para garantir a transparência e a efetividade dos atendimentos.
Com essa medida, o governo busca não apenas resolver parte do passivo fiscal da rede hospitalar privada, mas também assegurar que mais brasileiros tenham acesso a cuidados médicos especializados com rapidez e dignidade.