Política Caxias
Xadrez político em Caxias: Quando adversários se reencontram no tabuleiro do poder
Em um movimento inesperado, Lycia Waquim e Fábio Gentil reaparecem lado a lado, reacendendo especulações sobre novas alianças em Caxias. No xadrez político, velhos adversários podem se tornar aliados estratégicos. Entre gestos e interesses, o jogo do poder segue silencioso, mas implacável.
28/04/2025 11h54 Atualizada há 10 meses
Por: Jornalista Aylton Viana

A política maranhense, como um jogo de xadrez em que as peças se movem em silêncio, surpreende mais uma vez. Lycia Waquim, outrora aliada e depois adversária de Fábio Gentil, foi fotografada ao lado do ex-chefe durante o Encontro de Prefeitos organizado pelo governo do estado em São Luís. A cena, que incluiu Luzia Waquim, mãe de Lycia, não passa despercebida aos olhos dos que entendem que, na política, "não há inimigos permanentes, nem amigos eternos — apenas interesses permanentes" (parafraseando Lord Palmerston).

Lycia Waquim já foi secretária de Fábio Gentil, mas o rompimento veio quando ela apareceu em uma reunião com a oposição, gesto que selou sua candidatura à prefeitura de Caxias pelo lado contrário ao grupo gentilista. Na época, muitos analistas interpretaram sua postura como uma jogada estratégica para dividir votos e enfraquecer Paulo Marinho Júnior, principal adversário do grupo Gentil.

A ciência por trás das alianças

Como bem observou Maquiavel em "O Príncipe""os homens se ofendem tanto por coisas pequenas quanto por coisas graves; mas, quando se trata de poder, perdoam até o sangue derramado." Se Lycia e Gentil estiverem negociando, não será por afeto, mas por conveniência — a matemática eleitoral exige soma, não subtração.

Há três possíveis cenários:

  1. Frente Ampliada: Uma coalizão para fortalecer um projeto comum em Caxias.

  2. Trégua Temporária: Evitar ataques mútuos enquanto se prepara para futuras batalhas.

  3. Jogo de Cena: Apenass uma foto, sem consequências práticas — o que, em política, é pouco provável.

Por outro lado, é bom ver que a política, mesmo marcada por embates, pode transcender rancores pessoais. Se antigos adversários se dispõem a dialogar em nome de um projeto que realmente beneficie a população, é um sinal de maturidade democrática. Claro, desde que o objetivo verdadeiro seja o bem coletivo — e não apenas interesses pessoais disfarçados de boas intenções.

Onde há fumaça, há fogo?

Se a política é o reino da imprevisibilidade, como escreveu Hannah Arendt, "a essência do poder é a capacidade de agir em concerto." Lycia e Gentil, cada um com seu capital político, podem estar recalculando rotas. Resta saber se esse reencontro é o prelúdio de uma nova era ou apenas mais um capítulo na eterna dança de interesses que define o jogo democrático.

Fiquem atentos. Como diria Sun Tzu: "Conhece teu inimigo e conhece a ti mesmo, e em cem batalhas nunca serás derrotado." E na política, hoje adversário pode ser amanhã aliado — e vice-versa.

Aylton Viana é jornalista, analista com  experiência em desvendar os meandros do poder.