Política Corrupção
Fraudes na Educação: Fantástico expõe alunos fantasmas no Maranhão
Investigação da CGU e reportagem do programa denunciam esquema que desviou milhões de reais e prejudicou políticas públicas em estados pobres do Nordeste
24/02/2025 10h42
Por: Redação

São Luís (MA) – O Fantástico, programa da TV Globo, volta ao Maranhão neste domingo (23) para revelar um escândalo que abala a educação brasileira: fraudes em matrículas do Educação de Jovens e Adultos (EJA). A reportagem, baseada em relatório da Controladoria Geral da União (CGU), expõe municípios que inflaram números de alunos para desviar verbas públicas, enquanto milhões de brasileiros seguem sem concluir a educação básica. No Maranhão, estado com maior número de investigações, as matrículas na EJA despencaram 30% em 2024 após ações de combate às irregularidades.  

O Esquema dos "Alunos Fantasmas" 
A CGU identificou suspeitas em 35 cidades de 13 estados, com destaque para o Nordeste. No Maranhão, 10 municípios estão sob investigação do Ministério Público Federal (MPF) e Tribunal de Contas do Estado (TCE). Dados revelam quedas drásticas nas matrículas após a intervenção:  

Em São Bernardo, cidade de 27 mil habitantes, o Fantástico encontrou casos de famílias inteiras matriculadas sem autorização. O lavrador José Agripino de Souza relatou: “Ninguém daqui autorizou isso. Não estamos estudando”. A equipe também obteve um áudio em que uma agente de saúde orientava a inclusão de nomes falsos no sistema.  

A fraude vai além dos números inflados. Em Olho d’Água Grande (AL), a prefeitura declarou 106 matrículas em uma escola do povoado de Gravatá, mas moradores afirmam que o número real não passava de 30. A lista incluía até Cícero, filho de um morador local, que morreu em 2022. A CGU apontou que o município recebeu R$ 3 milhões indevidamente, alegando cursos que nunca ocorreram.  

No total, o prejuízo estimado com o esquema ultrapassa R$ 66 milhões. Segundo o procurador Juraci Guimarães, a falta de controle nos sistemas permite a manipulação: “É um escândalo, especialmente em um estado pobre como o Maranhão, que tem altos índices de analfabetismo”.  

Após as investigações, municípios como Zé Doca (MA) e Santa Quitéria do Maranhão (MA) reduziram suas matrículas em 33% e 22%, respectivamente. As prefeituras alegaram “correção de dados”, mas o MPF reforça que o impacto vai além dos números: crianças e jovens perdem acesso a recursos destinados a melhorias na infraestrutura escolar.