A Polícia Federal identificou indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro articulou um plano para simular um assalto e agredir fisicamente o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo e da Rádio CBN. A informação consta em investigação que embasou a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta semana.
A nova prisão de Vorcaro foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a decisão, há “fortes indícios” de que o banqueiro determinou que fosse forjado um assalto com o objetivo de “prejudicar violentamente” o jornalista e “calar a voz da imprensa”.
Conversas extraídas do celular de Vorcaro e obtidas pela PF revelam diálogos com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado nos prints pelo apelido de “Sicário”. As trocas de mensagens mostram a evolução da suposta trama:
Mourão: Esse Lauro Jardim bate cartão todo domingo? rs hein Lanço uma nova sua? Positiva
Daniel Vorcaro: Sim.
Mourão: Cara escroto.
Daniel Vorcaro: Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele.
Mourão: Vou fazer isto.
Em outro momento, a conversa se torna mais explícita quanto à violência pretendida:
Daniel Vorcaro: Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.
Mourão: Pode? Vou olhar isso...
Daniel Vorcaro: Sim.
Em comentário na Rádio CBN, Lauro Jardim detalhou o escopo do plano que teria sido desenhado contra ele. Segundo o jornalista, a ação incluiria monitoramento e vigilância, levantamento de informações pessoais, simulação de assalto e agressão física com o objetivo de intimidação. “Foi planejado e dado ok para acontecer”, afirmou.
A investigação da PF aponta que o grupo de WhatsApp intitulado “A Turma” teria sido utilizado como ferramenta para coordenar atividades ilícitas. De acordo com os autos, o grupo servia para obter informações sigilosas, monitorar adversários, intimidar críticos e obstruir investigações em curso.
A decisão do ministro André Mendonça menciona a existência de indícios robustos sobre a manutenção de uma “estrutura de vigilância e coerção privada” operada a mando de Vorcaro.
Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro se manifestou por meio de nota. No texto, os advogados negam categoricamente as alegações e afirmam confiar no esclarecimento dos fatos. A defesa sustenta ainda que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e que jamais tentou obstruir o trabalho da Justiça.