Política Caxias
Ingratidão política? Catulé Júnior apoiou Paulinho, que agora surge em eventos com símbolo de outro pré-candidato a deputado estadual.
Relações políticas em Caxias entram em tensão após mudanças de alianças e silêncios estratégicos, levantando questionamentos sobre gratidão, coerência e interesses nos bastidores do poder. O espaço permanece aberto para que todos os envolvidos esclareçam suas posições.
26/02/2026 14h00
Por: Liane Castro

Na política, a gratidão raramente sobrevive quando os interesses mudam de endereço. O que ontem parecia aliança sólida, hoje se dissolve em gestos frios, ausências calculadas e novas companhias à mesa. Quando a ingratidão se instala, o medo costuma ser maior do que a felicidade que parte dos corações.

A política, que deveria ser instrumento de construção coletiva e esperança, frequentemente se revela injusta e ingrata. Aquilo que nasce como projeto acaba, não raras vezes, transformado em símbolo de desobediência, leniência e distanciamento do que realmente importa: a coerência.

Como escreveu Nicolau Maquiavel, em O Príncipe:

“Os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio.”

Capítulo II – Um apoio público que não foi esquecido

Não é difícil recordar um episódio ainda recente da política local. Em meados de 2024, durante uma campanha não tão distante da memória do eleitor, o deputado estadual Catulé Júnior subiu em palcos, discursou e deixou clara sua posição. Em tom firme, ainda que visivelmente contrariado com setores do grupo da situação à época, declarou publicamente que Paulinho seria “o melhor para Caxias”.

A fala repercutiu. O gesto político foi interpretado como um movimento de coragem e ruptura momentânea, sinalizando confiança e expectativa de reciprocidade futura. Na política, gestos assim costumam criar laços – ou dívidas.

Capítulo III – Novos palcos, novas companhias

O tempo passou. E, agora, Paulinho surge em eventos públicos ao lado de outro pré-candidato: Gleydson Resende, atual prefeito de Barão de Grajaú. O cenário levanta questionamentos legítimos no meio político, sobretudo pelo contexto das articulações regionais e pela influência de lideranças estaduais.

Nos bastidores, comenta-se que a aproximação pode ter relação com o grupo político liderado pelo deputado federal Josimar Maranhãozinho, que enfrenta investigações e denúncias no âmbito da Justiça. Nada além disso foi oficialmente confirmado, mas os movimentos públicos falam alto em um ambiente onde cada fotografia é um recado.

Capítulo IV – Silêncios que também comunicam

A ausência de Paulinho em agendas ao lado de Catulé Júnior chama atenção. Em política, o silêncio raramente é neutro. Ele comunica, sinaliza e, muitas vezes, antecipa decisões.

Diante desse novo cenário, a pergunta que ecoa nos corredores do poder é inevitável:
Paulinho, que recebeu apoio público no passado, manterá o compromisso político com Catulé Júnior ou seguirá outro caminho por conveniência e rearranjos de ocasião?

Capítulo V – O espaço está aberto

Esta matéria não aponta culpados nem sentencia intenções. O jornalismo cumpre seu papel ao observar, contextualizar e questionar. A política é feita de escolhas, e toda escolha tem consequências.

O espaço permanece aberto e garantido para que todas as partes citadas possam se manifestar, esclarecer posições e apresentar suas versões dos fatos. Em tempos de desconfiança e desalento, a transparência ainda é o único caminho capaz de devolver alguma beleza à política.

Porque, no fim, mais do que alianças, o que a sociedade espera é coerência.