A pequena comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no interior do Maranhão, vive há 47 dias uma rotina de espera e silêncio. Foi dali que os irmãos Ágatha Isabelle, de apenas 6 anos, e Allan Michael, de 4, desapareceram sem deixar vestígios claros — um caso que segue angustiando a família e mobilizando forças de segurança em meio à densa vegetação da região.
O desaparecimento ocorreu no dia 5 de janeiro, quando as crianças brincavam com o primo Anderson Kauan, de 8 anos. Os três foram vistos pela última vez nas proximidades da comunidade. Três dias depois, Kauan foi encontrado com vida por lavradores em uma estrada de terra, a cerca de 4 km de distância. Sozinho e assustado, ele não soube explicar o que aconteceu com os primos.
Desde então, equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Exército Brasileiro atuam em conjunto nas buscas. A estratégia atual, no entanto, tem sido refazer caminhos já percorridos. A cada dia, os agentes adentram a mata fechada em varreduras minuciosas, na esperança de encontrar algum objeto, peça de roupa ou qualquer sinal que possa indicar a direção tomada pelas crianças.
“O objetivo é reduzir a área de procura. Revisitamos os mesmos pontos com novos olhares, porque qualquer detalhe pode fazer a diferença agora”, explicou fonte ligada à operação.
O último vestígio identificado pelos cães farejadores apontou para uma cabana abandonada conhecida como “casa caída”, localizada a cerca de 3,5 km da comunidade, em linha reta. Desde então, nenhuma pista concreta surgiu. A região, de difícil acesso, tem sido vasculhada também com o apoio de drones e helicópteros, que ajudam a cobrir trechos mais isolados.
A ausência de vestígios após mais de um mês de buscas intriga até os profissionais mais experientes. O coronel Célio Roberto, que acompanha os trabalhos, afirmou que, dadas as condições físicas das crianças e o tempo transcorrido, o mais provável é que já estivessem exaustas — o que torna o silêncio da mata ainda mais inquietante.
Enquanto as equipes seguem em campo, a investigação da Polícia Civil corre em sigilo. Uma comissão específica foi criada para conduzir o caso, e dezenas de pessoas já foram ouvidas. Algumas linhas de investigação foram descartadas, mas a polícia evita dar detalhes para não comprometer os trabalhos.
Do outro lado da espera, a dor tem nome e rosto. Clarice Cardoso, mãe das crianças, vive dias de angústia sem trégua. Em meio ao silêncio das buscas, ela faz um apelo público:
“Eu não desejo pra ninguém essa dor, uma dor insuportável. Cada dia só piora, a gente não tem notícia. O que eu quero é que eles me deem uma notícia para eu aliviar meu coração. Se alguém pegou, coloque num lugar que alguém possa ver e devolver eles”, desabafou.
A comunidade local permanece em estado de alerta. Moradores se revezam em vigílias e apoiam a família no que é possível, enquanto aguardam respostas que ainda não chegaram.
O caso segue em aberto, e as buscas — agora na marca de 47 dias — continuam, mesmo diante da falta de pistas. O Maranhão acompanha, com apreensão, o desenrolar de mais um desaparecimento infantil que ainda clama por justiça e verdade.