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Corpos das sete vítimas de acidente com ônibus em SP são sepultados no Maranhão.
Sete trabalhadores rurais morreram após tombamento do veículo; corpo de última vítima chegou ao estado na noite de quinta-feira.
20/02/2026 13h37
Por: Kaio Silvano

O Maranhão viveu um final de semana de luto e comoção. Entre quinta (19) e sexta-feira (20), os corpos dos sete maranhenses vítimas do grave acidente na BR-153, interior de São Paulo, foram sepultados em suas cidades natais. A maioria dos enterros ocorreu em Santa Luzia do Paruá, enquanto duas vítimas foram veladas e enterradas em Imperatriz.

Na cidade polo da região Tocantina, Gonçalo Lisboa, de 33 anos, e Santana Oliveira, de 30, foram homenageados por familiares e amigos na sede da Associação dos Lavradores da Vila Conceição II. Gonçalo foi sepultado ainda na quinta, e Santana na manhã de sexta, no cemitério da própria comunidade rural onde viviam.

O acidente

A tragédia aconteceu na madrugada da última segunda-feira (16), em um trecho da rodovia entre os municípios de Ocauçu e Marília (SP). O ônibus, que transportava trabalhadores rurais, tombou deixando um rastro de destruição. Seis pessoas morreram no local. A sétima vítima, identificada como Santana Barros de Oliveira, de 30 anos, não resistiu aos ferimentos e faleceu na terça-feira (17) após permanecer internada.

Além das mortes, 45 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave, e seguem recebendo atendimento médico em hospitais da região.

Investigações em andamento

As circunstâncias do acidente estão sendo rigorosamente investigadas pela Polícia Civil de São Paulo. O motorista do ônibus, Claudemir Moraes Moura, foi preso em flagrante e permanece internado sob escolta no Hospital das Clínicas. Ele deve responder por homicídio e lesão corporal na direção de veículo automotor.

De acordo com a delegada Renata Yumi, responsável pelo caso, o veículo apresentava graves problemas mecânicos, como pneus carecas e farol queimado. A principal linha de investigação aponta que o motorista teria seguido viagem mesmo após um dos pneus estourar, retirando-o do eixo — o que pode ter comprometido a estabilidade do coletivo e causado o tombamento.

Irregularidades no transporte

A situação é agravada por irregularidades administrativas. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que o ônibus não possuía autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para realizar viagens interestaduais. O veículo estava habilitado apenas para circular dentro do Maranhão, mas percorreu mais de 3 mil quilômetros até São Paulo.

Além do motorista preso, um segundo condutor fazia o revezamento na longa viagem, o que também será alvo de apuração.

Responsabilização e direitos das vítimas

O Ministério Público do Trabalho (MPT) deve abrir um procedimento para investigar a responsabilidade da empresa contratante e da transportadora. O órgão também atuará para garantir os direitos trabalhistas e o pagamento de indenizações às vítimas e aos familiares dos mortos.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou, por meio de nota, que a empresa proprietária do ônibus também será investigada e poderá ser responsabilizada criminalmente diante das irregularidades encontradas no veículo e na prestação do serviço.