BACABAL, MA – Nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, completa-se exatamente um mês do desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, 6 anos, e Allan Michael, 4, no povoado São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no interior do Maranhão. O caso, que ganhou repercussão nacional, permanece sem solução: as buscas conduzidas por uma força-tarefa das forças de segurança pública não encontraram novos elementos que indiquem o paradeiro das crianças, deixando familiares e a comunidade em estado de angústia e alerta contínuo.
O desaparecimento ocorreu no dia 4 de janeiro. As crianças estavam com o primo Anderson Kauã, 8 anos, que foi encontrado com vida dias depois, em uma área de mata. Em depoimento, o garoto relatou que ele e os primos se abrigaram em um casebre. Anderson saiu para buscar ajuda e, ao retornar, não os encontrou mais. Seu relato é a última pista concreta sobre os irmãos.
Força-tarefa e esforços de busca
De acordo com o delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, integrante da força-tarefa, o inquérito policial já soma mais de 200 páginas e dezenas de depoimentos. Nos primeiros 20 dias, as operações de busca percorreram mais de 200 quilômetros em operações terrestres e aquáticas. A Marinha do Brasil vasculhou 19 quilômetros do rio Mearim, sendo cinco deles de forma minuciosa, sem localizar vestígios.
A partir de 23 de janeiro, as buscas ativas de grande escala foram parcialmente reduzidas, dando lugar a um foco maior na investigação policial, após a varredura completa das áreas inicialmente mapeadas. As equipes de buscas, no entanto, permanecem de prontidão para retomar as operações a qualquer momento, caso novos indícios surjam.
Mais de mil pessoas, incluindo voluntários da comunidade, policiais civis, militares, bombeiros e integrantes da Marinha, participaram das ações. A mobilização reflete a comoção gerada pelo caso, que se espalhou pelas redes sociais e ganhou atenção da mídia nacional.
Repercussão e incertezas
O desaparecimento de Ágatha e Allan escancara as vulnerabilidades de crianças em áreas rurais e a complexidade de operações de busca em regiões de mata e rios. Apesar do esforço maciço, a falta de pistas concretas após um mês levanta questões sobre as hipóteses investigadas – que vão desde um desfecho acidental até a possibilidade de intervenção de terceiros.
A comunidade de São Sebastião dos Pretos e familiares seguem realizando vigílias e apelos por informações. A Polícia Civil mantém sigilo sobre detalhes do inquérito, mas reforça que todas as linhas de investigação estão abertas.
Conclusão
Um mês após o sumiço, o caso dos irmãos de Bacabal transformou-se em um símbolo de dor e incógnita. Enquanto as buscas visíveis diminuíram, a investigação corre nos bastidores, na esperança de que uma nova testemunha, um objeto ou uma imagem de câmera possa finalmente levar a uma resposta. Até lá, a pergunta “onde estão Ágatha e Allan?” continua ecoando, sem resposta, no interior do Maranhão.