Astronomia Geopolítica
Lançamento de foguete com satélite desenvolvido na UFMA falha durante missão internacional na Índia.
Satélite brasileiro desenvolvido na UFMA se perde após falha em lançamento indiano. Projeto de cinco anos para monitoramento ambiental não atingiu órbita devido a anomalia técnica.
13/01/2026 10h39
Por: Liane Castro

Uma missão espacial internacional terminou sem sucesso na madrugada desta segunda-feira (12) após a perda de comunicação com um foguete da Agência Espacial Indiana (ISRO). O veículo transportava equipamentos científicos de diversos países, incluindo cinco nanossatélites brasileiros — entre eles o Aldebaran-I, desenvolvido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

O lançamento ocorreu a partir da base de Sriharikota, na Índia, mas poucos minutos após a decolagem, o foguete apresentou um problema técnico em uma de suas etapas de voo. A missão foi interrompida antes que os satélites pudessem ser liberados em órbita.

Anomalia no terceiro estágio

A agência espacial indiana confirmou a identificação de uma "anomalia" no terceiro estágio do foguete e informou que equipes técnicas já trabalham para esclarecer as causas exatas da falha. Até o momento, não há informações oficiais sobre o local onde os destroços possam ter caído ou se algum dos equipamentos científicos resistiu ao incidente.

Projeto maranhense a bordo

O Aldebaran-I representava anos de pesquisa e desenvolvimento na UFMA, com financiamento e apoio institucional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Com estrutura cúbica compacta, o nanossatélite foi projetado como modelo experimental para validar sistemas que poderiam ser aplicados em futuras missões espaciais.

O desenvolvimento do projeto envolveu estudantes e professores ao longo de aproximadamente cinco anos, consolidando o Maranhão no cenário da pesquisa espacial brasileira. Sua finalidade principal seria contribuir para o monitoramento ambiental — especialmente na identificação de focos de queimadas — e auxiliar em operações de busca por embarcações de pequeno porte em áreas costeiras.

Além do Aldebaran-I, outros quatro nanossatélites brasileiros integravam a missão, criados por diferentes instituições de ensino e pesquisa do país. As iniciativas fazem parte do Programa Nacional de Atividades Espaciais 2022–2031, que busca estimular projetos acadêmicos e tecnológicos com aplicações práticas e impacto social.

A falha no lançamento representa um revés para a comunidade científica brasileira, mas especialistas ressaltam que contratempos são inerentes às complexas operações espaciais. A Agência Espacial Brasileira ainda não se pronunciou sobre possíveis planos para reconstruir ou relançar os equipamentos perdidos.

Com informações da Agência Espacial Indiana e da Universidade Federal do Maranhão.