CAXIAS (MA) – Na madrugada desta terça-feira (6), a violência urbana mais brutal adentrou os lares do bairro Caldeirões, em Caxias. Antônio Francisco da Conceição Lima, de 36 anos, foi executado com quatro tiros dentro do próprio quarto, enquanto estava deitado ao lado de sua companheira. O crime, caracterizado pela polícia como uma ação “direta e violenta”, foi perpetrado por um quarteto armado que arrombou a porta da frente da casa na Rua da Ferrovia e foi direto ao aposento da vítima.
De acordo com o relato pericial da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), os criminosos invadiram o imóvel por volta da 1h30, após chutarem e arrebentarem a porta de entrada. Sem hesitação, revistaram os cômodos até localizar Antônio Francisco. Mesmo com a presença da mulher, os disparos foram efetuados. A companheira, que presenciou toda a ação, não foi atingida. Os suspeitos fugiram a pé por um beco nas proximidades e permanecem não identificados.
“Eles chutaram a porta da frente, arrebentaram e foram direto ao quarto. Após os disparos, evadiram-se do local”, descreveu o auxiliar de perícia Kilson Araújo, em coletiva à imprensa. A vítima não resistiu e morreu no local, sem chance de receber atendimento médico.
A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), sob o comando do delegado Benedito, assumiu as investigações. Um dado relevante começa a traçar a linha de inquérito: Antônio Francisco possuía antecedentes criminais pelo crime de estupro e havia conquistado a liberdade do sistema prisional há aproximadamente um ano.
“A companheira da vítima já prestou depoimento inicial e estamos colhendo todas as informações possíveis. É uma linha importante de trabalho apurar se o passado criminal da vítima tem relação direta com a motivação deste homicídio. A forma como o crime foi executado, uma invasão domiciliar seguida de execução sumária, sugere uma ação premeditada e com objetivo específico”, informou fonte da DHPP à reportagem.
A polícia trabalha com a hipótese de que o crime possa ser uma retaliação por seus antecedentes. Equipes percorrem a região em busca de imagens de câmeras de segurança e ouvem possíveis testemunhas para tentar identificar os quatro homens e a rota de fuga.
O crime chocou os moradores do Caldeirões, um bairro que, como tantos outros, convive com a sensação de insegurança. A violência, que desta vez transpassou a barreira do lar, expõe a vulnerabilidade e gera um clima de medo na comunidade. A execução dentro de casa, um espaço tradicionalmente visto como refúgio, amplia o sentimento de alarme.
Enquanto a perícia finaliza os trabalhos no local e a polícia corre contra o tempo para identificar e capturar os executores, a população aguarda respostas. O caso aguarda laudos periciais complementares e a continuidade dos depoimentos. A expectativa é de que a justiça possa, em breve, elucidar os motivos por trás desta ação violenta e responsabilizar os autores, trazendo algum nível de tranquilidade a uma comunidade novamente atingida pela tragédia.