Brasil Política
PF pediu prisão de Weverton Rocha, mas PGR e STF negaram.
Polícia Federal investiga senador Weverton em nova fase da Operação Sem Desconto; prisão foi negada pela PGR e STF.
18/12/2025 12h13 Atualizada há 3 meses
Por: Kaio Silvano

Brasília, 18 de dezembro – A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira uma nova etapa da Operação Sem Desto, que investiga o esquema conhecido como “Farra do INSS”. O senador Weverton (PDT-MA) foi alvo de mandados de busca e apreensão em sua residência, após a PF ter pedido, inicialmente, sua prisão preventiva. O pedido de prisão, contudo, foi negado tanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR) quanto pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou apenas as buscas.

De acordo com informações apuradas pela coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles, a investigação aponta uma série de ligações entre o senador, sua equipe, e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, considerado um dos principais operadores do suposto esquema criminoso dentro do Instituto Nacional do Seguro Social. O esquema teria desviado milhões de reais através de fraudes em benefícios previdenciários.

Prisão de secretário-executivo e exoneração

Paralelamente às buscas contra o parlamentar, a Polícia Federal cumpriu mandado de prisão temporária contra Adroaldo Portal (PDT), atual secretário-executivo do Ministério da Previdência. Portal foi assessor do senador Weverton no Senado Federal antes de assumir o cargo no governo federal.

Conforme as investigações, Adroaldo Portal recebeu o lobista Careca do INSS em uma reunião secreta nas dependências do Ministério da Previdência Social. Na ocasião, o lobista estava acompanhado por Gustavo Gaspar, apontado como braço-direito do senador Weverton. As imagens que ilustram a reportagem mostram encontros entre os investigados.

Diante dos fatos, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, emitiu nota informando que determinou a exoneração imediata de Adroaldo Portal do cargo de secretário-executivo. Queiroz afirmou ainda que a pasta “seguirá contribuindo ativamente com as investigações” e reforçou o compromisso com a transparência.

Posicionamento do senador

Procurado, o senador Weverton se manifestou por meio de nota, afirmando que recebeu “com surpresa a busca na sua residência” e garantindo que, “com serenidade, se coloca à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tiver acesso integral à decisão” judicial. O parlamentar nega qualquer irregularidade.

Contexto da Operação Sem Desconto

A Operação Sem Desconto, que teve sua primeira fase deflagrada anteriormente, investiga um extenso esquema de corrupção e fraude que operava dentro do INSS. O modus operandi envolvia a manipulação de processos e a concessão irregular de benefícios previdenciários de alto valor, em troca de vantagens financeiras. O lobista “Careca do INSS” é uma peça central nas apurações, sendo acusado de articular o pagamento de propinas a agentes públicos para agilizar e direcionar decisões.

A negativa de prisão preventiva para o senador, por parte do STF e da PGR, segue entendimento técnico de que as medidas cautelares devem ser proporcionais. Neste caso, considerou-se que a busca e apreensão era suficiente para a fase investigatória, sem necessidade de custódia do parlamentar, que tem foro privilegiado.

As investigações seguem em andamento, e novos desdobramentos são aguardados. A operação desta quinta-feira contou com o apoio do Ministério Público Federal (MPF) e foi autorizada pela Justiça Federal.