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Fundador do Pix deixa o Brasil para criar o “Pix Internacional” nos EUA.
Executivo, que teve papel fundamental na criação e implementação do sistema de pagamentos instantâneos, encerra uma trajetória de mais de duas décadas no BC, marcada por inovação e legado familiar.
28/11/2025 14h20
Por: Kaio Silvano

BRASÍLIA/WASHINGTON – Uma das figuras mais influentes no sistema financeiro brasileiro dos últimos anos, Carlos Eduardo Brandt, encerrou seu ciclo de mais de vinte anos no Banco Central (BC) e deixou o Brasil para integrar o corpo técnico do Fundo Monetário Internacional (FMI). A mudança, concretizada há cerca de três meses, marca um novo capítulo na carreira do servidor publicamente reconhecido como um dos principais arquitetos do Pix.

Em Washington, Brandt agora atua na área de pagamentos e infraestrutura de mercados da instituição financeira global, onde sua experiência com o bem-sucedido caso brasileiro será um ativo valioso para projetos em outros países.

A saída do BC representa o fim de uma trajetória profundamente ligada à história da autarquia. Brandt é um legítimo representante de uma tradição familiar no Banco Central: seu pai e seu avô também foram servidores da instituição. Sua carreira foi construída dentro do BC, onde ascendeu a posições de liderança e culminou na chefia do Departamento de Competição e Estrutura do Mercado Financeiro, setor sob cuja égide o Pix foi concebido e desenvolvido.

O ápice de sua atuação no Banco Central coincidiu com o lançamento e a consolidação do Pix. O sistema de pagamentos instantâneos, lançado em novembro de 2020, revolucionou as transações financeiras no país ao permitir transferências gratuitas e imediatas 24 horas por dia, todos os dias da semana.

O sucesso foi rápido e estrondoso. Em seu primeiro ano de operação, o Pix já contava com o dobro de usuários inicialmente projetados, um crescimento que surpreendeu até os otimistas mais entusiastas. Foi justamente nesse momento, em 2021, que o reconhecimento internacional chegou. A Bloomberg, renomada agência de notícias financeiras, incluiu Carlos Eduardo Brandt em sua lista anual das 50 personalidades mais influentes no cenário global de negócios (Bloomberg 50).

A nomeação destacou sua capacidade de liderar um projeto de infraestrutura crítica que não apenas modernizou o sistema financeiro brasileiro, mas também promoveu a inclusão financeira e serviu de modelo para outras nações.

A expertise adquirida com a implementação do Pix – que envolveu a coordenação de centenas de instituições financeiras, a definição de regras rígidas de segurança e a criação de uma plataforma tecnológica robusta – é agora um trunfo para o FMI. A instituição tem mostrado crescente interesse em pagamentos instantâneos e moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) como ferramentas para aumentar a eficiência e a resiliência dos sistemas financeiros mundiais.

A partida de Brandt é vista pelo mercado como uma natural consequência de seu sucesso, atraindo o interesse de uma instituição global. Sua transição para o FMI consolida não apenas a relevância de sua carreira individual, mas também o reconhecimento internacional do Pix como um case de sucesso em política financeira e inovação tecnológica.