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Aplicativo que cria versões digitais de pessoas mortas com IA causa repercussão na internet.
Um novo aplicativo de inteligência artificial tem chamado atenção ao permitir que usuários conversem digitalmente com pessoas já falecidas. O 2Wai, disponível por enquanto apenas para iPhone nos Estados Unidos, utiliza IA para criar avatares realistas com voz, aparência e gestos semelhantes aos do indivíduo original.
24/11/2025 10h30
Por: Sabrina Pereira

A tecnologia exige que a pessoa tenha gravado um vídeo direto no aplicativo antes de morrer. Com cerca de três minutos de imagens e falas, a plataforma constrói um avatar que funciona como um gêmeo digital capaz de manter conversas em tempo real. De acordo com a startup, os avatares podem reconhecer o usuário, lembrar informações e responder de forma natural.

O 2Wai viralizou após um vídeo publicado no X, antigo Twitter, mostrar uma mulher grávida conversando com o avatar da própria mãe já falecida. Na sequência, o avatar aparece atuando como avó digital, contando histórias ao neto ainda bebê e interagindo novamente com a criança já mais velha. A publicação ultrapassou 40 milhões de visualizações e provocou uma enxurrada de comentários, dividindo opiniões entre comoção e estranhamento.

O vídeo foi divulgado por Calum Worthy, cofundador da empresa e ator conhecido pela série Austin e Ally do Disney Channel, onde interpretou o personagem Dez. Desde então, o aplicativo tem movimentado discussões sobre tecnologia, luto, memória e limites éticos do uso de inteligência artificial para recriar pessoas.

Como funciona o aplicativo

O 2Wai se apresenta como uma plataforma de criação de HoloAvatars, que podem representar pessoas vivas ou mortas. Além de homenagens a familiares, usuários podem criar avatares de perfil profissional, como treinadores pessoais, escritores ou agentes de viagem.

A empresa afirma que o sistema suporta mais de 40 idiomas, mas ainda não confirma a inclusão do português do Brasil. A versão atual funciona apenas nos Estados Unidos e ainda não chegou ao sistema Android. A startup revela que o uso é gratuito nesta fase, mas que o aplicativo poderá adotar assinaturas no futuro.

Uso da IA após a morte divide opiniões

O recurso de recriar a presença digital de quem já partiu levanta debates sobre privacidade, luto e os limites emocionais e éticos de reviver uma memória através da tecnologia.

Uma pesquisa realizada pela ESPM neste mês, em referência ao Dia de Finados, indica que um em cada quatro brasileiros se imagina utilizando inteligência artificial para conversar com familiares falecidos. O levantamento ouviu 267 pessoas que perderam entes próximos nos últimos dois anos.

Com a chegada de soluções como o 2Wai, a discussão sobre como a inteligência artificial pode mudar a forma como lidamos com a morte e a saudade já está em curso e deve ganhar ainda mais força nos próximos anos.