O ex presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente na manhã deste sábado em Brasília, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal após o monitoramento indicar violação da tornozeleira eletrônica e risco de fuga.
Bolsonaro cumpria prisão domiciliar desde quatro de agosto, sob monitoramento e restrições, por acusações relacionadas a tentativa de obstrução de investigações e planejamento de golpe de Estado. Embora já condenado a mais de vinte e sete anos de prisão, a pena ainda não transitou em julgado, o que significa que a prisão deste sábado não é para início da execução da sentença.
Segundo Moraes, a tornozeleira foi rompida durante a madrugada. Além disso, o ministro citou a convocação de uma vigília em frente ao condomínio de Bolsonaro feita pelo senador Flávio Bolsonaro. Para Moraes, o ato poderia criar tumulto e facilitar uma possível fuga, já que o local fica a poucos minutos do setor de embaixadas, que tem proteção internacional e dificulta a atuação policial.
A decisão também menciona episódios anteriores, como a permanência de Bolsonaro por duas noites na Embaixada da Hungria em fevereiro de dois mil e vinte e quatro e indícios de que ele teria planejado buscar refúgio na Embaixada da Argentina.
Bolsonaro foi detido por volta das seis da manhã e levado à Superintendência da Polícia Federal, onde ficará em uma sala especial reservada a autoridades, equipada com cama, banheiro e mesa. A ex primeira dama Michelle Bolsonaro não estava em casa no momento da prisão.
A defesa do ex presidente afirmou que a prisão preventiva causa perplexidade e coloca a saúde de Bolsonaro em risco. O Partido Liberal classificou a medida como desnecessária.
Na segunda feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal deverá analisar a decisão de Moraes e decidir se Bolsonaro continuará preso preventivamente enquanto seguem os recursos e procedimentos judiciais.
A situação do ex presidente combina prisão preventiva, condenação pendente de trânsito em julgado e inelegibilidade já confirmada.